formspring.me : Resposta a nova pergunta : estupidez humana, sociedade e consumo

Até que consiga encontrar uma forma um pouco mais automatizada de publicar respostas a perguntas selecionadas que me fazem em meu perfil  no serviço formspring.me, vou esporadicamente publicar as perguntas que acreditar interessantes e suas respectivas respostas como posts por arqui.

Essa é a primeira. Perguntem mais e eu provavelmente terei mais material para publicar 🙂


Pergunta :


Partindo da citação <quote>Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta</quote> Como você entende hoje a estupidez humana, a sociedade de consumo. by geekbr


Minha resposta :


A estupidez humana sempre existiu e sempre existirá. Infelizmente, parece ter piorado com o tempo.

Procuramos formas de obter satisfação nos afastando cada vez mais uns dos outros, sendo cada vez mais egocêntricos, nos importando cada vez menos com nossos pares.

Criamos redomas artificiais e tentamos curar os problemas que isso nos traz recorrendo ao consumismo desenfreado, mas não conseguimos entender que isso não nos vai trazer a felicidade que teimamos em afastar quando optamos por nos afastar uns dos outros.

Dizem que umas das características do ser humano que o diferencia dos demais seres e que o torna a espécie dominante é a capacidade de armazenar informações e transmití-la aos seus semelhantes.

Isso foi a base da evolução humana e foi o que nos permitiu construir sob o que nossos antepassados criaram. É por isso que não precisamos redescobrir a eletricidade a cada nova geração, por exemplo, mas sim evoluir a partir de conceitos básicos compreendidos e passados a frente por gerações anteriores.

Infelizmente, porém, se por um lado somos capazes de compreender conceitos abstratos e complexos relacionados a ciência, matemática, física e demais áreas do conhecimento, somos um zero a esquerda no que diz respeito a conhecermos a nós mesmos.

Começamos a entender a importância que temos uns para os outros somente próximo ao final de nossas vidas. E mesmo sofrendo muito para começarmos a entender isso, somos seres ruins o bastante para não tentarmos transmitir a nossas gerações futuras a importância disso.

Parece que sentimos prazer em deixar que cada nova geração cometa os mesmos erros, sofra o mesmo que sofremos e tenha um início da compreensão de quanto tempo de vida perdeu tentando se enganar somente ao final de sua existência.

O ciclo sempre vai se repetir. Não me orgulho nada disso, tenho vergonha em fazer parte de uma espécie tão mesquinha e egoísta, que impede sua própria evolução por não se importar em sua evolução como espécie, mas sim no quanto pode ter de vantagem hoje.

Imediatistas e egocêntricos, somos uma sociedade patética. Nos julgamos donos de tudo e na verdade não somos donos de coisa alguma. Não temos a mínima importância no mundo e no universo, mas acreditamos, de alguma forma, que nossos bens materiais e nossa superioridade imaginada como espécie dominante realmente nos torna importantes.

Nos maravilhamos com a tecnologia e passamos a tê-la como nosso principal companheiro, deixando de lado nossos pares reais de carne, osso e alma, dando pouca ou nenhuma importância aos mesmos.

O sentido da vida não é 42. O sentido da vida, em minha opinião, é conseguirmos evoluir não tecnologicamente, mas sim afetivamente, como espécie, junto a nossos pares, de forma amigável. Uma evolução espiritual, como queira.

Nunca vamos entender e conseguir explicar questões relacionadas ao metafísico, sobrenatural, a alma ou como o queira chamar se não conseguirmos compreender conceitos tão simples como amizade, convivência em sociedade, paz, amor e respeito.

Felizmente, não são todos de nossa raça que são realmente repugnantes conforme descrito aqui. Algumas pessoas, infelizmente a minoria, conseguem compreender o que é realmente importante.

Infelizmente, essas pessoas são ignoradas pela grande maioria de nossa sociedade e taxada como “pobres”, por optarem por não ostentar luxo e bens materiais, mas sim por tentarem simplesmente se importar uns com os outros.