formspring.me : Excesso de informação e escassez de tempo para coisas simples

Mais uma resposta a uma pergunta que recebi no formspring.me. Para quem ainda não entendeu, o formspring.me é um serviço onde você pode se cadastrar e as pessoas, cadastradas ou não, anonimamente ou não, podem lhe fazer perguntas.

É uma espécie de FAQ sobre você mesmo, onde os interessados podem saber mais sobre você ou mesmo lhe fazer perguntas relacionadas a sua opinião sobre qualquer assunto.

Caso esteja interessado/interessada em saber algo sobre mim ou minha opinião sobre um determinada assunto, confira se já respondi a pergunta que você faria em meu perfil no formspring.me ou faça você mesmo sua própria pergunta.

Abaixo, a pergunta que resolvi selecionar e a resposta que forneci a mesma :


Pergunta :


Como lidar com a quantidade de informação hoje em dia ? Existe tempo para leitura dos “Clássicos” como Fernando Pessoa e Machado de Assis ? by geekbr


Resposta :


Se eu soubesse realmente como lidar com a quantidade de informações com a qual somos bombardeados diariamente eu provavelmente escreveria um livro sobre isso e ficaria rico e famoso, exatamente como o fazem os escritores de livros de auto-ajuda.

Realmente, vivemos em um tempo em que somos bombardeados com um quantidade enorme de informações. A grande sacada, que muitos ainda não entenderam, é que não somos obrigados a absorver e entender toda essa informação.

Podemos filtrar somente a informação que necessitamos ou somente a informação que nos interessa e ignorar todo o ruído adicional que teima em querer nos perseguir e se disfarçar de conteúdo importante.

Existem inúmeras ferramentas, como os agregadores de feeds (Google Reader, por exemplo), que nos permitem perder menos tempo indo atrás das informações, nos trazendo a informação automaticamente sempre que uma atualização ocorrer na fonte original.

Certamente, existe também o perigo de nos empolgarmos com a quantidade de informação disponível e caírmos na armadilha de tentarmos acompanhar toda e qualquer fonte de notícia, na vã esperança de que alguma informação útil um dia será nos passada a partir dessas fontes.

Nesse ponto, é importante ter a noção da existência da possibilidade de uma filtragem ainda mais profunda da informação que chega até nós, para separar o ruído da informação útil.

Ainda reutilizando o exemplo dos agregadores de feeds, existe a possibilidade da assinatura de feeds por tags/palavras-chaves, de forma que não exatamente todo o conteúdo das fontes de origem da informação nos serão trazidas, mas sim somente a informação devidamente rotulada com uma palavra-chave (tag) específica, a qual esperamos realmente refletir o assunto descrito pelo identificador da palavra-chave utilizada.

Também temos a opção de simplesmente dedicar menos tempo a acompanhar toda essa informação que nos cerca e nos preocuparmos mais com nossos amigos, parentes, familiares, companheiros e com as pessoas que nos cercam de uma forma geral.

Lembre-se que toda a informação importante que nos é trazida pela Internet é, em essência, produzida por pessoas, não por máquinas. As máquinas são somente um meio de transporte para que a informação nos atinja.

E se a informação é produzida pelas pessoas, nada mais natural do que ir diretamente a fonte das informações, ou seja, nada mais natural do que recorrer as pessoas, as quais produzem a informação, e não aos veículos que somente a transportam, as máquinas.

Mesmo que inconscientemente, todos estamos em algum nível viciados em informação. Não somente nós, que vivenciamos a tecnologia diariamente, mas em diferentes níveis virtualmente todos estão parcialmente dependentes/viciados em informação.

Um exemplo é que, atualmente, dificilmente encontramos um conhecido que não possua ao menos uma conta em um serviço de mensagens instantâneas (MSN/Windows Live Messenger é o mais comum entre as pessoas não técnicas) e um perfil em alguma rede social (Orkut é o mais comum entre as pessoas não técnicas).

Todos estão com uma certa frequência acessando/utilizando esses serviços. Isso não é necessariamente ruim. Quando utilizados como apenas mais uma forma de manter contato com outras pessoas, ou mesmo como uma forma de organizar encontros reais entre pessoas que de outra forma dificilmente se conheceriam, é até saudável utilizar esses serviços.

O problema começa a ocorrer quando a pessoa substitui a vida social real pela vida “social” virtual, utilizando somente o meio virtual para o contato com outras pessoas e ignorando completamente sua necessidade natural de contato humano/físico.

Em relação a tempo, salvo o tempo em que você vende seu conhecimento para seu empregador, você é quem decide o que fazer de seu tempo livre. Se você não tem nenhum tempo livre e, ao invés disso, consome todo seu tempo trabalhando, talvez seja o caso de reavaliar sua vida.

Vale realmente a pena ter todo o seu tempo ocupado com trabalho ? A recompensação financeira conseguida com isso realmente vale a pena todo o tempo perdido, o qual certamente não será lhe devolvido novamente e o qual lhe fará falta, senão em pouco tempo, mas ao menos de médio a longo prazo ?

É essencial, mesmo que por vezes complicado, ter ao menos algum tempo livre para se divertir, interagir com outras pessoas reais (não virtuais), se dedicar a hábitos saudáveis (como a leitura citada) e, em última instância, até mesmo ter algum tempo livre para você mesmo, mesmo que seja para simplesmente não fazer coisa alguma, somente para descansar.

Estou convencido de que uma grande área de pesquisa/trabalho passará a ser a psicologia, uma vez que a sociedade atual está se perdendo com tamanha intensidade em meio a tanta tecnologia que certamente precisaremos cada vez mais ser analisados e ter nossos problemas entendidos para podermos voltar a viver como antigamente, quando não tínhamos a interferência da tecnologia atrapalhando as relações humanas.

formspring.me : Resposta a nova pergunta : estupidez humana, sociedade e consumo

Até que consiga encontrar uma forma um pouco mais automatizada de publicar respostas a perguntas selecionadas que me fazem em meu perfil  no serviço formspring.me, vou esporadicamente publicar as perguntas que acreditar interessantes e suas respectivas respostas como posts por arqui.

Essa é a primeira. Perguntem mais e eu provavelmente terei mais material para publicar 🙂


Pergunta :


Partindo da citação <quote>Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta</quote> Como você entende hoje a estupidez humana, a sociedade de consumo. by geekbr


Minha resposta :


A estupidez humana sempre existiu e sempre existirá. Infelizmente, parece ter piorado com o tempo.

Procuramos formas de obter satisfação nos afastando cada vez mais uns dos outros, sendo cada vez mais egocêntricos, nos importando cada vez menos com nossos pares.

Criamos redomas artificiais e tentamos curar os problemas que isso nos traz recorrendo ao consumismo desenfreado, mas não conseguimos entender que isso não nos vai trazer a felicidade que teimamos em afastar quando optamos por nos afastar uns dos outros.

Dizem que umas das características do ser humano que o diferencia dos demais seres e que o torna a espécie dominante é a capacidade de armazenar informações e transmití-la aos seus semelhantes.

Isso foi a base da evolução humana e foi o que nos permitiu construir sob o que nossos antepassados criaram. É por isso que não precisamos redescobrir a eletricidade a cada nova geração, por exemplo, mas sim evoluir a partir de conceitos básicos compreendidos e passados a frente por gerações anteriores.

Infelizmente, porém, se por um lado somos capazes de compreender conceitos abstratos e complexos relacionados a ciência, matemática, física e demais áreas do conhecimento, somos um zero a esquerda no que diz respeito a conhecermos a nós mesmos.

Começamos a entender a importância que temos uns para os outros somente próximo ao final de nossas vidas. E mesmo sofrendo muito para começarmos a entender isso, somos seres ruins o bastante para não tentarmos transmitir a nossas gerações futuras a importância disso.

Parece que sentimos prazer em deixar que cada nova geração cometa os mesmos erros, sofra o mesmo que sofremos e tenha um início da compreensão de quanto tempo de vida perdeu tentando se enganar somente ao final de sua existência.

O ciclo sempre vai se repetir. Não me orgulho nada disso, tenho vergonha em fazer parte de uma espécie tão mesquinha e egoísta, que impede sua própria evolução por não se importar em sua evolução como espécie, mas sim no quanto pode ter de vantagem hoje.

Imediatistas e egocêntricos, somos uma sociedade patética. Nos julgamos donos de tudo e na verdade não somos donos de coisa alguma. Não temos a mínima importância no mundo e no universo, mas acreditamos, de alguma forma, que nossos bens materiais e nossa superioridade imaginada como espécie dominante realmente nos torna importantes.

Nos maravilhamos com a tecnologia e passamos a tê-la como nosso principal companheiro, deixando de lado nossos pares reais de carne, osso e alma, dando pouca ou nenhuma importância aos mesmos.

O sentido da vida não é 42. O sentido da vida, em minha opinião, é conseguirmos evoluir não tecnologicamente, mas sim afetivamente, como espécie, junto a nossos pares, de forma amigável. Uma evolução espiritual, como queira.

Nunca vamos entender e conseguir explicar questões relacionadas ao metafísico, sobrenatural, a alma ou como o queira chamar se não conseguirmos compreender conceitos tão simples como amizade, convivência em sociedade, paz, amor e respeito.

Felizmente, não são todos de nossa raça que são realmente repugnantes conforme descrito aqui. Algumas pessoas, infelizmente a minoria, conseguem compreender o que é realmente importante.

Infelizmente, essas pessoas são ignoradas pela grande maioria de nossa sociedade e taxada como “pobres”, por optarem por não ostentar luxo e bens materiais, mas sim por tentarem simplesmente se importar uns com os outros.

Redes sociais : estão todas fadadas a irrelevância ?

Tenho que reconhecer : ultimamente, tenho utilizado muitas redes sociais. Muito mais do que eu imaginaria poder utilizar em um passado não muito distante (alguns poucos meses, em tempo de Internet).

No longínquo tempo de poucos meses atrás, eu ainda tinha a mesma visão que a maioria das pessoas que conheço tem das redes sociais : tecnologias bobinhas para se divertir, mas sem nenhum conteúdo relevante real.

Felizmente, após algum tempo tentando entendê-las, consegui perder o preconceito e passei a compreender que a relevância, em muitos casos, existe para quem corre atrás e não para quem quer que a mesma caia em seu colo como que por mágica.

Ainda não venci o preconceito principal e não desfiz o orkuticído cometido a muitos anos atrás, mas comecei a viver em outras redes sociais. Mais especificamente, comecei já há algum tempo a utilizar serviços de microblogging como o Twitter e o Identi.ca (apesar de reconhecer que uso muito mais o Twitter do que o Identi.ca, mea culpa).

O Twitter tem tudo e mais um pouco para lhe parecer algo extremamente sem sentido e sem utilidade, mas depois de algum tempo você passa a entender o funcionamento e começa a aproveitá-lo.

Hoje em dia, sei que quem diz que Twitter é somente para idiotas que querem ficar sabendo quantas vezes desconhecidos foram ao banheiro são pessoas que realmente não entenderam a utilidade do serviço.

Se você só tem somente esse tipo de informação (inútil, obviamente) em sua timeline, desculpe lhe dizer, mas o incompetente é você. Ao contrário das demais redes sociais do passado (novamente, passado em tempo de Internet), com serviços de microblogging você é quem define a qual tipo de conteúdo quer ter acesso.

Se as pessoas que você segue não são relevantes para você e só falam besteiras, simplesmente pare de seguí-las. Simples assim. Ninguém é obrigado a continuar seguindo alguém só porque esse alguém o segue.

Reciprocidade o cacete 🙂 Sério, não sofra e não tenha medo de utilizar o equivalente ao botão de trocar de canal das redes sociais : utilize o recurso de “unfollow“. É efetivo e faz bem a saúde mental.

Você segue quem fala o que lhe interessa, seja amigo pessoal/conhecido ou não. Eu acompanho várias pessoas que não me acompanham e não passo a acompanhar todos que passaram a me acompanhar.

Se eu acreditar que um amigo, seja ele um amigo pessoal ou não, parou de ser relevante como o era no início e se tornou um maluco informando seus horários para fazer o número dois, “unfollow'” nele.

É fácil assim e, após isso, invariavelmente a felicidade volta a reinar em sua timeline. Na verdade, a regra de ouro para manter a sanidade é bem simples : somente acompanhe as pessoas que são relevantes para você.

Após algum tempo de uso de serviços de microblogging, passei a dar mais valor para redes sociais e, por isso, resolvi dar uma chance ao Facebook, já que todos diziam que se tratava de um Orkut melhorado e com uma quantidade de salsas bem menor.

Não me arrependi e, com a integração do Facebook com quase tudo que se possa imaginar em termos de redes sociais, principalmente com serviços de microblogging, passei a gostar do serviço.

Cheguei até a flertar com o formspring.me. Resisti bastante no início devido a outro preconceito, o de acreditar que se tratava de um serviço inútil para uma pessoa comum e irrelevante como eu.

Por quê eu iria utilizar um serviço onde as pessoas poderiam me fazer perguntas de todos os tipos ? Isso me cheirava a algo restrito a (sub)celebridades instantâneas, coisa que obviamente nunca fui e não pretendo ser.

Depois de algumas pessoas conhecidas pedirem para que eu passasse a utilizar o serviço, aceitei a idéia como uma forma de iniciar somente mais uma brincadeira, já que sabia que provavelmente seriam perguntas engraçaralhas para as quais eu teria respostas ainda mais engraçaralhas.

Me inscrevi no serviço e as pessoas começaram a me fazer perguntas. Achei bastante interessante e passei a respondê-las. Surgiram perguntas não tão engraçaralhas como eu imaginava e eu gostei da brincadeira de respondê-las. As pessoas retribuíram e começaram a fazer mais perguntas, eu gostei e mantive meu perfil no serviço até hoje.

O interessante do serviço é que as pessoas podem fazer perguntas anonimamente. Ou seja, se você quer saber se possui inimigos, essa é sua chance, já que, nesse caso, invariavelmente vão aparecer perguntas cabeludas de “anônimos”.

No meu caso, acredito que tenha um dom até então desconhecido : o dom de enganar muito bem as pessoas, já que consegui passar todo esse tempo sem nenhuma pergunta cabeluda. Consegui responder tudo o que foi perguntado até o momento, sem descartar nenhuma pergunta.

Ou seja, ou eu não tenho inimigos realmente (improvável) ou as pessoas encontraram alguém ainda pior do que eu para chatear. Por mais que solicitasse perguntas inteligentes e desafiadoras (não ofensivas, obviamente), não tive muitas perguntas que me fizeram perder muito tempo pensando em respostas, infelizmente.

De qualquer forma, acredito que o ponto principal é que, atualmente, as redes sociais são ferramentas bastante interessantes, seja para se divertir, encontrar pessoas com interesses em comum e trocar figurinhas, trabalhar e até mesmo encontrar seus arquiinimigos, quando pinta aquela vontade de sacanear (algo muito frequente, em meu caso).

Se você ainda acredita que redes sociais são coisas de miguxos e estão fadadas ao fracasso, ao esquecimento e a obsolescência, azar o seu. Pense novamente e tente se livrar de seus preconceitos. Você não tem nada a perder.