Assuma sua idiotice e salve a humanidade

A menos que você seja um adolescente ou tenha sérios problemas para se desvencilhar dessa época de sua vida, você certamente já deve ter compreendido que não conseguirá aprender tudo.

É impossível uma única pessoa, por mais inteligente que seja, conseguir aprender tudo em seu relativamente curto tempo de vida. Na verdade, você não precisa saber tudo. Nunca precisou. Isso nunca foi e nunca lhe será exigido.

Porém, como humanos, raça extremamente pouco evoluída, ainda temos um instinto primário que nos leva a acreditar que podemos fazer tudo, lidar com qualquer situação, resolver qualquer problema e ter as respostas para qualquer pergunta.

Muitos reconhecem isso como arrogância, pretensão ou soberba. Eu acredito que possa sim existir uma pitada desses sentimentos envolvida, mas acredito que o ser humano provavelmente deve ter algo próprio de sua raça que o faça agir dessa forma nas mais variadas situações.

Muitos irão citar um longo caminho ainda a ser trilhado em nosso crescimento espiritual no objetivo de nos tornarmos seres melhores. Eu não conheço nada de espiritualismo e não estou envolvido com nada relacionado e, portanto, não posso comentar, mas gostaria de poder confiar que um dia poderemos nos livrar dessas imperfeições.

O fato é que nos parece comum faltarmos com a verdade em relação a nossos conhecimentos e nossa capacidade de lidar com um desafio e/ou situação complexa. Por vezes assumimos que podemos lidar com algo que nem mesmo temos idéia do que seja, confiando que provavelmente conseguiremos, de alguma forma, chegar a uma conclusão satisfatória.

Muitas vezes conseguimos, mas é comum observar situações constrangedoras e difíceis de serem solucionadas somente porque alguém acreditou que seria capaz de assumir uma responsabilidade muito grande relacionada a algo para o que não estava preparado.

Uma forma de evitar isso é, primeiramente, tentar evitar o complexo de super-homem/super-mulher e acreditar que consegue dar conta de tudo. Obviamente, isso é impossível e não é somente porque achamos que não o seja que realmente o deixará de ser.

Estive lendo um ótimo texto (encontrado em uma indicação de @fzero via Twitter) no qual o autor cita que o conhecimento humano pode ser dividido basicamente em três grandes grupos : o que você sabe que sabe, o que você sabe que não sabe e o que você não sabe que não sabe.

O que você sabe que sabe é simples e engloba todo o conhecimento que vocẽ tem certeza que possui. Pense em qualquer coisa que você possa responder com propriedade e exatidão prontamente quando questionado. Isso é o que você sabe que sabe.

Mais importante do que o conhecimento que você sabe que sabe é o conhecimento que você sabe que não sabe. Basicamente, é estando ciente que você não sabe sobre um determinado assunto que você se livra de problemas maiores, evitando situações e/ou tarefas para as quais você sabe que não está preparado.

Porém, o terceiro grupo, o conhecimento que se encaixa no grupo do que você não sabe que não sabe é o mais importante dentre esses três grandes grupos citados.

O conhecimento que se encaixa no grupo do que você não sabe que não sabe é a grande armadilha pela qual você por vezes se deixa ser pego. Pense nas diversas situações em que você não tinha certeza se sabia sobre algo e optou por assumir uma responsabilidade relacionada a isso.

Situação comum : uma reunião, você sendo questionado sobre um assunto que você não domina, mas que você acredita não ser tão complexo e, instintivamente, decide não ser tão complexo a ponto de ser um impeditivo para o avanço de um determinado projeto.

Você simplesmente assume que conseguirá lidar com o problema e, talvez por ter passado por situações e/ou problemas semelhantes anteriormente, por comparação, deixa o projeto prosseguir acreditando que o ponto em questão pode ser solucionado de forma trivial.

Pouco tempo depois, após a reunião, você descobre que o ponto em questão é extremamente complexo e demandará mais pessoal, equipamento ou verba do que você havia imaginado, claramente caracterizando um ponto crítico e de alta importância, o qual não deveria ter sido assumido como simples.

Pessoalmente, nunca passei por situações como essa, mas já cheguei a estar muito próximo das mesmas (e, felizmente, consegui evitá-las) e presenciar situações constrangedoras pelas quais pessoas que assumiram saber sobre algo e não sabiam passaram.

O autor do texto citado anteriormente cita que o mais importante não é você somente saber muito, mas sim ter ciência do que você não sabe e, ainda mais importante, tentar evoluir no sentido de, cada vez mais, manter o conhecimento do grupo que você não sabe que não sabe mínimo.

Veja bem, a idéia não é simplesmente absorver todo o conhecimento existente, o que sabemos ser impossível, mas sim tentar manter o grupo de conhecimento das coisas que você não sabe que não sabe pequeno, seja tomando ciência de que você não sabe sobre algo e, portanto, adicionado esse conhecimento a lista das coisas que você sabe que não sabe ou realmente aprendendo sobre isso, o que o adicionaria na lista das coisas que você sabe que sabe.

A idéia é agir defensivamente, no intuito de não causar danos a você ou a terceiros tentando se meter com assuntos que você certamente não conhece ou, pior ainda, com assuntos que você nem mesmo tem certeza se não conhece.

Não é feio e nem proibido assumir que você não conhece sobre um determinado assunto, visto que, conforme já citado, é impossível para qualquer ser humano saber tudo sobre todos os assuntos.

Nem mesmo aquela pessoa super inteligente que você conhece e acredita ter a resposta para todas as perguntas sabe realmente tudo sobre todos os assuntos.

Muitos sabem muito sobre um assunto ou sobre um grupo de assuntos específicos, mas provavelmente sabem pouquíssimo ou mesmo nada sobre outros assuntos totalmente não relacionados. É normal, não devemos nos sentir ruins por não sabermos tudo.

O mais importante é, novamente, não tentarmos esconder nossos sentimentos e esconder ou camuflar esse desconhecimento, assumindo riscos desnecessários, os quais provavelmente irão gerar situações muito mais complexas e difíceis de serem solucionadas posteriormente.

É preferível passar por cima do ego e perguntar sobre algo que não se conhece, o que por si só já ajuda a aumentar a lista dos conhecimentos que você sabe que sabe, do que não perguntar e fingir que sabe.

Eu tenho um comportamento que muitos acreditam ser ruim, mas do qual não pretendo me livrar tão cedo : ser pessimista. Sim, eu sempre assumo o pior cenário e trabalho no sentido de estar preparado para o pior.

Pode ser algo psicológico, mas posso garantir que esse comportamento me livrou de muitos problemas. Não queira assumir uma grande responsabilidade sem estar ciente e preparado para todos os riscos que a mesma possa trazer.

Pesquise, questione, aprenda, transfira conhecimento, certifique-se de que todos os envolvidos estejam cientes dos desafios, dos possíveis problemas, dos riscos envolvidos e das formas imaginadas para contornar essas dificuldades.

Lembre-se que é perfeitamente possível ninguém de sua equipe ter levantando uma questão para a qual a resposta ainda se encontre pendente em sua cabeça simplesmente porque se trata de um conhecimento que todos os envolvidos não sabem que não sabem.

Você também pode não saber a resposta, mas ao menos poderá contribuir fazendo com que os envolvidos retirem esse conhecimento de suas listas das coisas que não sabem que não sabem e o adicionem a lista de coisas que sabem que não sabem, onde o mesmo é bem menos perigoso.

Obviamente, tendo ciência da existência da questão pendente, todos poderão trabalhar juntos em uma forma de solucioná-la e trazê-la para a lista de conhecimentos que o grupo como um todo sabe que sabe.

Eu passei por inúmeras situações em que fui considerado inteligente e/ou capaz/competente não por dar uma solução para um problema, mas sim somente por ter apontado problemas que detectei e não foram detectados por outros.

Novamente, é uma prova de que simplesmente aumentar a quantidade de conhecimentos que você sabe que sabe não é o único ponto importante em sua vida, mas sim também aumentar a lista de conhecimentos que você sabe que não sabe, através da diminuição da lista dos conhecimentos que você não sabe que não sabe.

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Seu cérebro como produto : prepare sua vitrine

Atualmente, vivemos uma fase de transição um pouco complexa, nebulosa e indefinida. Provavelmente já houveram fases semelhantes em outras épocas, uma vez que tudo no mundo é cíclico.

Não somos mais a geração Coca-Cola, não somos a geração das grandes guerras (apesar das guerras ainda existirem, em menor escala, mas não em menor número de vítimas), não somos a geração de coisa alguma.

Nada assustadoramente grande e importante aconteceu em nossa geração. Aliás, eu nem faço parte da geração atual, já que não sou adolescente há um bom tempo, mas prefiro simplesmente ignorar esse fato.

Minha geração (infância nos anos 80 e adolescência nos anos 90) não teve nada de extremamente importante acontecendo globalmente enquanto se desenvolvia.

O resultado é que atualmente somos um bando de quase tiozinhos com saudades de modas e cultura tosca dos anos 80. Sim, sinal de decadência, mas fazer o quê ? A idade chega e quanto a isso não há nada a ser feito.

Porém, é importante notar que, por mais que a criação não possa ser atribuído a nossa geração, fomos nós, os adolescentes dos anos 90, que começamos a realmente utilizar computadores e fazer do uso dos mesmos uma mania presente em nosso dia-a-dia, assim como a TV (infelizmente) ainda é presente atualmente na vida de nossos pais.

A geração seguinte, os nascidos nos anos 90 e vivendo sua adolescência atualmente, já nasceram em um mundo onde o uso de computadores e a Internet era algo completamente normal. Sim, é estranho imaginar isso, mas existiu um tempo em que se utilizava computadores desconectados da Internet.

Reconheço, uma grande parte das possibilidades atuais não existiam sem a Internet e a principal vantagem, a possibilidade do alcance do que você produz ser global, não era sequer imaginada.

Resumindo, era um tempo chato para os padrões atuais e quem utilizava computadores nessa época (e, obviamente, anteriormente a essa época) realmente podia ser chamado de “nerd”.

Apesar de ser uma época desconectada, foi necessária, visto que durante a mesma grande parte das tecnologias existentes atualmente foi inventada. Hoje em dia, qualquer um é rotulado de “nerd”, já que o termo está na moda.

Naquela época, no entanto, somente quem realmente gostava da coisa o fazia, visto que era necessário ter muita imaginação para sentar em frente a uma telinha ilhada, desconectada, por horas e horas, conversando somente com a máquina e não com outras pessoas.

Confesso que, atualmente, apesar de obviamente saber que existe utilidade em computadores desconectados, os mesmos perdem praticamente 90% de sua utilidade caso estejam sem acesso a Internet. E estou comentando somente o uso doméstico que fazemos dos mesmos.

Profissionalmente falando, na área em que trabalho, a falta do acesso Internet só serve para aumentar a integração dos funcionários na degustação do líquido sagrado nosso de cada dia, o santificado café.

Sou um ser estranho, visto que iniciei nesse mundo de tecnologias acompanhando o surgimento comercial da Internet e o início do uso massificado do acesso a mesma, e estou entrando em uma era em que o não acesso a Internet significa, na prática, não ter chance alguma de algum tipo de sucesso profissional.

Atualmente, não somente os profissionais da área de tecnologia, mas qualquer tipo de profissional, sem o louvado acesso a Internet, no mínimo, não consegue executar suas funções profissionais de forma correta, independente da complexidade do mesmo.

A perda do acesso, atualmente, é obviamente muito mais sentida e indesejada do que a perda da televisão o era em gerações passadas. A TV, por mais que tenhamos tentado reverter esse quadro, sempre foi um meio muito mais de entretenimento do que de cultura.

A Internet, por outro lado, apesar de ter todo o entretenimento e a baboseira necessária para quem os procura, oferece uma gama extremamente mais extensa de material cultural para os que estiverem realmente interessados.

Um reflexo disso é que uma quantidade extremamente grande de ocupações e até mesmo de profissões foram criadas nos últimos anos. Profissões essas que nem mesmo eram sequer imaginadas como possíveis há poucos anos.

Utilizamos a Internet para nos divertir, para estudar, para trabalhar, para namorar e, provavelmente, qualquer outra atividade humana que você possa imaginar possui uma forma de ser reproduzida na Internet. No mínimo, ao menos pode ser facilitada.

Isso nos leva ao fato de que, já há alguns anos, e isso tem se intensificado ainda mais com a Internet e as tecnologias que dela se utilizam, o trabalho humano passou a ser essencialmente intelectual.

Obviamente, sempre existiu trabalho intelectual e sempre existiu o trabalho braçal. Também obviamente, isso não significa o fim completo do trabalho braçal, mas sim um foco cada vez menor no mesmo, somente o estritamente necessário, e um maior foco no conteúdo produzido através do uso do intelecto.

O que me leva ao assunto principal desse post (sim, eu utilizo idéias introdutórias muito maiores do que o ponto principal, me processe) : em um futuro próximo, nossa principal ferramenta de trabalho será o cérebro.

Para algumas profissões, como a que exerço, por exemplo, isso já é uma realidade e, na verdade, o tem sido basicamente desde sua invenção. O fato é que um número muito maior de profissões baseadas no pensar e no intelecto foram e continuarão a ser criadas.

Sendo o cérebro nossa principal ferramenta de trabalho, não seria comum que, dentro de algum tempo, venhamos a notar uma maior necessidade de substâncias que possam estimular o cérebro, da mesma forma que, nas épocas do trabalho baseado na força física, nos era útil ter ferramentas para melhorar nosso desempenho físico ?

Veja bem, não estou me referindo a drogas ilegais. As mesmas sempre existiram e provavelmente sempre existirão. A forma e a apresentação mudarão, mas as mesmas sempre estarão lá, disponíveis para quem quiser se destruir.

Me refiro a formas não prejudiciais a saúde de estimular o pensamento e o trabalho cerebral. Formas legais, sem que tenhamos que nos render a perigosas soluções milagrosas ilegais e seus conhecidos efeitos colaterais.

Ter a mente livre de preocupações, bem como ter uma boa dose de inspiração são pontos que, em minha opinião, são essenciais para que o trabalhador intelectual possa produzir e desempenhar bem suas funções.

O raciocínio lógico exige concentração, um certo desligamento do mundo real, uma imersão no problema e uma volta a realidade com soluções e respostas que resolvam problemas reais. É quase que um estado de transe.

Desenvolvedores de software provavelmente já conhecem bem esse estado. Mesmo eu, que não lido com desenvolvimento diretamente em meu dia-a-dia, sinto frequentemente que me encontro nesse estado fora da realidade.

Caso não queiramos rumar em direção ao buraco sem fundo da depressão, precisamos não somente da motivação financeira materializada na figura de nosso salário pago, mas também de inspiração para produzirmos.

Da mesma forma que um escritor precisa se inspirar para escrever seus textos ou um pintor precisa de inspiração para desenvolver suas obras, o profissional intelectual precisa de inspiração para conseguir produzir, dada a quantidade assustadora de informações com as quais o mesmo lida diariamente no cumprimento de suas funções.

Conhecendo bem nossos governantes e a sociedade retrógrada e empacadora do progresso em que vivemos, obviamente substâncias inspiradoras, caso venham a um dia existir (e não vejo o motivo para que não venham a existir), demorariam pequenas eras para serem aprovadas como soluções legais para problemas reais.

Dito isso, pergunto : o futuro nos reserva uma nova droga, mesmo que temporária, a qual nos preencheria com a inspiração necessária para que possamos continuar a produzir em uma sociedade totalmente baseada na informação ?

Alimento para o pensamento. Deixem suas opiniões nos comentários e, por favor, respeitem o português. Ele não somente fornecer seu pães.


Como não se dar mal : pergunte-me como!

Uma das coisas que sempre me questionei na vida foi porque os adultos insistiam tanto em coisas que, à época, em minha infância, pareciam tão exageradamente chatas.

Seja uma boa pessoa. Seja educado. Estude. Não tenha vícios. Não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem. Coisas obviamente chatas e nada interessantes quando estamos no início de nossas vidas.

Na época adolescência nos parecem ainda pior, uma vez que nessa época estamos atolados de hormônios ocupando o lugar do cérebro e tendemos a agir de forma insana muito facilmente.

Quando você começa a entrar na vida adulta, começa a sentir uma dificuldade imensa em entender tudo. A vida passa a ficar bem mais complicada e tudo parece algo extremamente complicado e de outro mundo.

É natural, já que você passa a ter que se comportar e agir como adulto caso queira ser respeitado e ter chance de conseguir algo na vida. Ninguém gosta de um “adultocente” (um adulto com comportamento adolescente), por mais que digam o contrário e que possa lhe parecer “cool” ter sempre uma atitude jovem.

Ter um espírito jovem não significa fazer as mesmas bobagens que você fazia na adolescência, com toda a falta de experiência e todos os hormônios que podiam ser utilizados como desculpa. Parece óbvio, mas muito gente não entende isso.

Aliás, muito gente não entende conceitos básicos. Aliás, muita gente parece ter que ser agredida fisicamente para começar a fazer os neurônios funcionarem no tranco, dada a quantidade de bizarrices e vidas desperdiçadas que vemos por aí.

O problema principal é que as pessoas parecem utilizar o cérebro somente esporadicamente. Sério, esse monte de peso que você possui dentro de sua caixa craniana não está aí somente para fazer peso. Use-o.

O ser humano possui habilidades espantosas, mas  existem pessoas que atendem o instinto selvagem de forma tão rápida e conseguem acionar seus orgãos menos intelectuais de forma tão fácil que parecem nem precisar ter um cérebro para acioná-los.

Infelizmente, mesmo sabendo que o cérebro é o que comanda todos os outros membros e orgãos do corpo e por isso é utilizado quase que inconscientemente de forma constante, as pessoas parecem esquecer que ele existe, na grande maioria das vezes.

Voltando ao assunto dos conselhos paternos, na vida adulta você começa a ter lampejos de entendimento do significado dos mesmos. Ainda os tem como chatos, mas entende que são necessários.

Nossos pais não nos diziam detalhes indicando a razão de você realmente ter que seguir seus conselhos simplesmente porque não estávamos preparados intelectualmente para entendê-los.

O mais lamentável é que, na vida adulta, muitas pessoas continuam parecendo não ter a capacidade intelectual de entendê-los. Não é culpa do cérebro. Como um orgão, ele precisa ser exercitado ou fatalmente irá atrofiar.

E não há uma forma de exercitar o cérebro senão consumindo cultura. Lendo, escrevendo, vendo filmes interessantes, discutindo sobre questões importantes, conhecendo opiniões e pontos de vista e compartilhando suas opiniões e pontos de vistas. Tudo isso exercita o cérebro.

Da mesma forma que sentimos dor nas pernas e nos braços quando vamos à academia em uma primeira vez, não é fácil iniciar sua vida cultural. Felizmente, da mesma forma que seu corpo se adapta aos exercícios e passa a suportar cargas mais intensas, seu cérebro se alimenta da cultura e passa a solicitar mais.

De forma similar aos exercícios, cultura também faz bem a saúde, mais especificamente a sua saúde mental. E todos sabemos que somente exercitar um em detrimento do outro não é uma boa idéia. Mente sã, corpo são.

O que é difícil de entender é que as pessoas da sociedade atual possuem a sua disposição uma ferramenta global, altamente útil e repleta de todas as forma de cultura como a Internet e não a utilizam.

Óbvio que se você está lendo este texto você utiliza a Internet, visto que não teria acesso ao mesmo de outra forma. É importante notar, no entanto, que ter acesso a Internet não necessariamente significa que você realmente a utiliza, que você realmente tira algum proveito da mesma.

Claro, com a Internet se tornando nossa segunda casa, nada mais natural do que se divertir com a mesma, procurando distrações e humor. Mas a Internet não serve somente para bater papo com seus amiguinhos e alimentar seus pequenos animais em suas minúsculas fazendas virtuais.

Você tem a disposição uma quantidade virtualmente infinita de informações sobre virtualmente qualquer assunto. Me espanta as pessoas ainda procurarem cursos e treinamentos nos dias atuais, quando tudo o que se precisa pode ser encontrado online.

Obviamente, é necessário foco para não se distrair e passar o tempo todo consumindo conteúdo inútil, mas o conteúdo relevante e útil está disponível e facilmente acessível. Na maioria das vezes, de forma gratuita.

É incompreensível ver pessoas reclamando de falta de oportunidades, se lamentando por não conseguirem um emprego ou uma promoção devido a não conhecerem um assunto específico ou mesmo pagando caros centros de ensino para tentarem adquirir conhecimento que já está livremente e gratuitamente disponível na Internet.

Uma pesquisa de 5 segundos, seguida de um clique de botão lhe separam da maioria do conhecimento que você precisa. Tecnologias atuais lhe permitem emular ambientes de tecnologia complexos nos quais virtualmente qualquer tipo de solução pode ser testada.

Nunca foi tão fácil ser autodidata. É só ter um pouco de força de vontade e perder alguns minutos e você certamente consegue encontrar qualquer coisa que precisar, bem como aprender sozinho o que precisa ou tem vontade de aprender.

Quanto mais você aprende, mais compreende a imensidão de assuntos interessantes e mais tem vontade de aprender. Seu cérebro lhe agradece, sua saúde lhe agradece, seus familiares e amigos lhe agradecem, a sociedade lhe agradece e você passa a ter a capacidade de entender que, lá na infância, os conselhos que seus pais lhe davam são totalmente relevantes.

São formas simplificadas de lhe dizer que você pode ser feliz e que, para isso, é só seguir as pistas que a vida lhe dá gratuitamente. Tudo e todos com os quais você tem contato formam sua vida e fazem parte da mesma.

Você começa aprendendo com as mais próximos, seus pais, e continua seguindo as dicas que lhe são dadas continuamente, mesmo que indiretamente, até o final de sua vida. A isso damos o nome de evolução.

Redes sociais : estão todas fadadas a irrelevância ?

Tenho que reconhecer : ultimamente, tenho utilizado muitas redes sociais. Muito mais do que eu imaginaria poder utilizar em um passado não muito distante (alguns poucos meses, em tempo de Internet).

No longínquo tempo de poucos meses atrás, eu ainda tinha a mesma visão que a maioria das pessoas que conheço tem das redes sociais : tecnologias bobinhas para se divertir, mas sem nenhum conteúdo relevante real.

Felizmente, após algum tempo tentando entendê-las, consegui perder o preconceito e passei a compreender que a relevância, em muitos casos, existe para quem corre atrás e não para quem quer que a mesma caia em seu colo como que por mágica.

Ainda não venci o preconceito principal e não desfiz o orkuticído cometido a muitos anos atrás, mas comecei a viver em outras redes sociais. Mais especificamente, comecei já há algum tempo a utilizar serviços de microblogging como o Twitter e o Identi.ca (apesar de reconhecer que uso muito mais o Twitter do que o Identi.ca, mea culpa).

O Twitter tem tudo e mais um pouco para lhe parecer algo extremamente sem sentido e sem utilidade, mas depois de algum tempo você passa a entender o funcionamento e começa a aproveitá-lo.

Hoje em dia, sei que quem diz que Twitter é somente para idiotas que querem ficar sabendo quantas vezes desconhecidos foram ao banheiro são pessoas que realmente não entenderam a utilidade do serviço.

Se você só tem somente esse tipo de informação (inútil, obviamente) em sua timeline, desculpe lhe dizer, mas o incompetente é você. Ao contrário das demais redes sociais do passado (novamente, passado em tempo de Internet), com serviços de microblogging você é quem define a qual tipo de conteúdo quer ter acesso.

Se as pessoas que você segue não são relevantes para você e só falam besteiras, simplesmente pare de seguí-las. Simples assim. Ninguém é obrigado a continuar seguindo alguém só porque esse alguém o segue.

Reciprocidade o cacete 🙂 Sério, não sofra e não tenha medo de utilizar o equivalente ao botão de trocar de canal das redes sociais : utilize o recurso de “unfollow“. É efetivo e faz bem a saúde mental.

Você segue quem fala o que lhe interessa, seja amigo pessoal/conhecido ou não. Eu acompanho várias pessoas que não me acompanham e não passo a acompanhar todos que passaram a me acompanhar.

Se eu acreditar que um amigo, seja ele um amigo pessoal ou não, parou de ser relevante como o era no início e se tornou um maluco informando seus horários para fazer o número dois, “unfollow'” nele.

É fácil assim e, após isso, invariavelmente a felicidade volta a reinar em sua timeline. Na verdade, a regra de ouro para manter a sanidade é bem simples : somente acompanhe as pessoas que são relevantes para você.

Após algum tempo de uso de serviços de microblogging, passei a dar mais valor para redes sociais e, por isso, resolvi dar uma chance ao Facebook, já que todos diziam que se tratava de um Orkut melhorado e com uma quantidade de salsas bem menor.

Não me arrependi e, com a integração do Facebook com quase tudo que se possa imaginar em termos de redes sociais, principalmente com serviços de microblogging, passei a gostar do serviço.

Cheguei até a flertar com o formspring.me. Resisti bastante no início devido a outro preconceito, o de acreditar que se tratava de um serviço inútil para uma pessoa comum e irrelevante como eu.

Por quê eu iria utilizar um serviço onde as pessoas poderiam me fazer perguntas de todos os tipos ? Isso me cheirava a algo restrito a (sub)celebridades instantâneas, coisa que obviamente nunca fui e não pretendo ser.

Depois de algumas pessoas conhecidas pedirem para que eu passasse a utilizar o serviço, aceitei a idéia como uma forma de iniciar somente mais uma brincadeira, já que sabia que provavelmente seriam perguntas engraçaralhas para as quais eu teria respostas ainda mais engraçaralhas.

Me inscrevi no serviço e as pessoas começaram a me fazer perguntas. Achei bastante interessante e passei a respondê-las. Surgiram perguntas não tão engraçaralhas como eu imaginava e eu gostei da brincadeira de respondê-las. As pessoas retribuíram e começaram a fazer mais perguntas, eu gostei e mantive meu perfil no serviço até hoje.

O interessante do serviço é que as pessoas podem fazer perguntas anonimamente. Ou seja, se você quer saber se possui inimigos, essa é sua chance, já que, nesse caso, invariavelmente vão aparecer perguntas cabeludas de “anônimos”.

No meu caso, acredito que tenha um dom até então desconhecido : o dom de enganar muito bem as pessoas, já que consegui passar todo esse tempo sem nenhuma pergunta cabeluda. Consegui responder tudo o que foi perguntado até o momento, sem descartar nenhuma pergunta.

Ou seja, ou eu não tenho inimigos realmente (improvável) ou as pessoas encontraram alguém ainda pior do que eu para chatear. Por mais que solicitasse perguntas inteligentes e desafiadoras (não ofensivas, obviamente), não tive muitas perguntas que me fizeram perder muito tempo pensando em respostas, infelizmente.

De qualquer forma, acredito que o ponto principal é que, atualmente, as redes sociais são ferramentas bastante interessantes, seja para se divertir, encontrar pessoas com interesses em comum e trocar figurinhas, trabalhar e até mesmo encontrar seus arquiinimigos, quando pinta aquela vontade de sacanear (algo muito frequente, em meu caso).

Se você ainda acredita que redes sociais são coisas de miguxos e estão fadadas ao fracasso, ao esquecimento e a obsolescência, azar o seu. Pense novamente e tente se livrar de seus preconceitos. Você não tem nada a perder.

Quem poderá nos defender ?

Mais uma vez, contrariando as indicações de tudo e de todos, estive pensando sobre o futuro, minha condição de nerd e a sociedade estranha na qual estou inserido.

Nós, nerds, apesar de sermos paparicados pelas empresas criadoras de tecnologias, na esperança de que sejamos formadores de opiniões e espalhemos nossas opiniões sobre seus produtos entre nossos semelhantes (e, principalmente, para os não semelhantes), somos na verdade meros objetos sendo utilizados.

Inicialmente, acreditamos que as empresas desenvolvedoras de tecnologia realmente desenvolvem produtos pensando em nosso perfil. Porém, infelizmente, pouco tempo depois, caímos na realidade e percebemos que a realidade é bastante diferente.

Atualmente, os gadgets mais interessantes, os que possuem maior capacidade de criar um novo mercado ou de se estabelecerem como uma nova tendência e cair nas graças do uso massificado não são muito amigáveis para os nerds.

Obviamente, são atraentes como qualquer nova tecnologia o é. Porém, não são atraentes o suficiente para que passem a ocupar um espaço dedicado e garantido em nossa vida.

Celulares, por exemplo, por mais que eu os odeie, passaram a ocupar um local dedicado e garantido em minha vida, por mais que eu me arrependa de dizer disso. São um caso específico, na verdade, pois, ao menos em meu caso, são um mau necessário.

Mas servem para ilustrar, nesse contexto. O ponto é que se tornou algo presente no dia-a-dia de todos, algo massificado, que virtualmente todos possuem e não sabem mais como viver sem. Em outras palavras, ocupou seu lugar em nossas vidas.

Os gadgets atualmente lançados, mais atraentes ao público em geral e que possuem capacidade de conquistar seu lugar em nossas vidas, no entanto, pecam quando o assunto é conquistar realmente um lugar na vida de nossa classe, nerds estranhos segundo a maioria da humanidade não estranha.

Eles não possuem a “hackeabilidade” necessária. Não são dispositivos que permitam que façamos o que quiser com os mesmos. Obviamente, nenhum dispositivo de consumo massificado terá níveis de “fuçabilidade” muito altos, por motivos óbvios : o público alvo pouco se importa com esse item.

Porém, para nós, nerds, esse item é extremamente importante, senão essencial. É aceitável que o gadget, em última instância, seja fornecido com um conjunto limitado de recursos que permitam sua personalização de acordo com as preferência dos usuários mais exigentes.

O que não é aceitável, a meu ver, é que esses mesmos gadgets não permitam modificação alguma e, por vezes, até mesmo tornem isso algo ilegal. A minha opinião é que, contanto que eu não esteja fazendo algo realmente ilegal, sou eu quem deve decidir o que eu posso e o que eu não posso fazer com um gadget pelo qual eu paguei.

Infelizmente, ultimamente, o que venho percebendo é que, cada vez mais, os novos dispositivos de desejo são fornecidos de fábrica com opcionais que não são, em primeiro momento, indesejáveis para o público em geral mais que o são para o nerd padrão.

DRM, por exemplo, é algo que se encaixa nesse contexto. Se eu comprei o gadget e se eu comprei o conteúdo, porque diabos a empresa que me vendeu o dispositivo é que tem que decidir que eu só poderei usar o conteúdo em um único dispositivo ?

Por quê a empresa que desenvolveu o leitor de livros eletrônicos tem que decidir que o livro que eu adquiri só pode ser lido no dispositivo de leitura eletrônica que ela ou seu parceiro comercial me vendeu ?

Eu posso muito bem querer ler esse livro em meu desktop, em meu smartphone, em um laptop ou em um netbook. Sendo eu o dono da cópia adquirida e possuíndo todos esses gadgets, porque não poderia usar o conteúdo dessa forma ?

São todas formas moralmente legais de utilização. Porém, infelizmente, os dispositivos atuais estão sendo distribuídos com mecanismos que impedem que algo tão simples como o cenário descrito acima seja possível.

Se eu quiser instalar um aplicativo de um terceiro em meu dispositivo eu perco totalmente o suporte ao dispositivo ? Não seria mais correto eu, no máximo, não ter suporte ao aplicativo de terceiro em questão e não a todo o dispositivo ?

Pior, isso significa que, na visão da empresa que desenvolveu o produto, eu sou agora um fora da lei ? E, como fora da lei, estaria eu sujeito a penas legais ? Seria justo eu ser punido legalmente somente por estar usando meu dispositivo, comprado legalmente, da forma que eu acredito ser a forma correta e não da forma que a empresa desenvolvedora da tecnologia definiu como correta ?

Pense bem, a minha forma de uso não é moralmente incorreta. Eu não estou deixando de pagar ninguém, não estou utilizando conteúdo adquirido por meios não oficiais e ilegais, mas se não adquiri o conteúdo (seja ele um aplicativo, um livro eletrônico, uma música ou qualquer outro conteúdo) diretamente da empresa que desenvolve a tecnologia ou de seus parceiros eu estou agora, oficialmente, sendo reconhecido como um usuário ilegal ?

Já não é ruim o suficiente os gadgets atuais serem severamente limitados ? Já não é feio o suficiente essas empresas lançarem produtos artificialmente limitados somente para terem chance de lançarem novas versões continuamente, cada uma acrescentando somente uma pequena funcionalidade dentre todas as que sabemos que poderiam existir desde a primeira versão do produto ?

Agora, além de sermos obrigados a conviver com produtos artificialmente limitados, com preços inflados totalmente fora de nossa realidade, ainda temos nossa liberdade de utilização de algo que adquirimos legalmente sendo cerceada de acordo com os interesses de quem os desenvolveu ?

Essas empresas não entendem que, a partir do momento que o produto é vendido, a propriedade daquela cópia do mesmo passa a ser do indivíduo que a adquiriu e não mais delas, as empresas criadoras ?

Você aceitaria adquirir um carro se soubesse que a empresa poderia, remotamente e automaticamente, sem o seu consentimento e sem o seu conhecimento prévio, esgotar o tanque de gasolina caso você circulasse por estradas que as montadoras acreditassem que não fossem interessantes ?

Você aceitaria ser taxado de ilegal caso decidisse ir até a praia no final de semana com seu carro e a estrada utilizada como caminho para seu passeio não fosse administrada pela montadora ou por um de seus parceiros ?

Não ? Então por quê devemos aceitar situação semelhante com os dispositivos tecnológicos que adquirimos ? Por quê aceitar que a empresa que desenvolve nosso leitor de livros eletrônicos apague remotamente de nossosdispositivos de leitura, sem nosso consentimento, um livro pelo qual pagamos ?

Por quê aceitar que seu novo gadget seja artificialmente limitado, não permita a instalação de aplicativos de terceiros para execução de músicas e não permita que as mesmas sejam transferidas de seu desktop para o mesmo caso as mesmas não tenham sido adquiridas da empresa desenvolvedora da tecnologia em questão ou de seus parceiros ?

Visão deturpada da realidade ? Alarmismo inconsciente ? Visão exagerada de um futuro que obviamente não será tão ruim assim ? Sinto dizer, mas isso já ocorre hoje em dia.

Bem-vindo ao presente.

Levando sua informação com você, para onde você for

Se eu ainda não disse, que seja agora dito :  sou viciado em informação. Assino inúmeros feeds RSS e leio por completo a grande maioria deles.

Já tentei de diversas formas levar a informação comigo para todos os lugares, mas sempre falhei miseravelmente em todas as minhas tentativas, por diversos motivos distintos.


O brinquedinho

O brinquedinho


Ultimamente, tenho me divertido bastante com meu novo brinquedo/presente. O pequenino netbook me permite armazenar uma quantidade copiosa de informações e levá-las comigo para onde quer que eu queira.

Já havia tentado armazenar as informações que queria ter sempre comigo no smartphone, mas sempre tive como empecilho o fato do smartphone não ser na verdade um computador real.

Ele quebra um galho, mas não tem tudo o que um computador real pode oferecer e tentar utilizá-lo como se o mesmo realmente fosse um computador real sempre acabou me trazendo dores de cabeça.

Existe também o problema da limitação de espaço e capacidade. Um smartphone, por mais poderoso que seja, não é um computador real e, por isso, é limitado em vários pontos.

Um dos pontos principais é a capacidade de armazenamento. Isso seria solucionável com o abuso da nuvem para armazenar seus dados e tê-los disponíveis com você onde você estivesse. Infelizmente, isso é lindo na teoria, mas na prática ainda não é toda essa maravilha que pregam.

Existe a questão dos planos de dados terem um custo proibitivo para a grande maioria das pessoas (eu incluso) e o problema de ambas velocidade de acesso e cobertura serem bastante diferentes do que as operadoras querem nos fazer acreditar.

Eu tinha uma esperança com o Kindle. O que mais me chamava a atenção no Kindle era a conexão 3G gratuita. Ou seja, você compra o gadget, pode carregar seus livros por aí, ter acesso a Amazon para comprar os livros que quiser, acesso a jornais online (somente aqueles que tiverem uma parceria com a Amazon, provavelmente), ler em uma tela que não fica devendo quase nada a experiência de leitura de um livro convencional e uma conexão constante a Internet.

Seria uma maravilha se não fosse pelo fato de que, ao menos na versão internacional do Kindle, aquela que oficiamente lhe possibilitará utilizar a conexão 3G gratuita em território nacional, você não poderá utilizar o gadget para navegar livremente na Internet.

Segundo a Amazon, a conexão é para acesso exclusivo a loja online da Amazon (para comprar livros e baixá-los para o Kindle) e provavelmente ao conteúdo de parceiros de conteúdo online, como um jornal online, por exemplo.

De lambuja, a única coisa a qual lhe permitem acesso na versão internacional, ao menos para os usuários brasileiros, é a Wikipedia. Não que eu não acredite que seja louvável dar acesso gratuito a Wikipedia (conexão gratuita, não somente o acesso a informação lá contida), mas acredito que o gadget seria quase perfeito se ao menos acesso ao Google Reader fosse permitido.

Imagine poder ler seus feeds RSS atualizados enquanto você está sentado no trem, naquelas viagens tediosas, maçantes e infindáveis as quais somos obrigados a nos sujeitar para a locomoção diária casa -> trabalho, trabalho -> casa. Seria ótimo.

Enquanto isso não é possível, eu tinha a idéia de utilizar a funcionalidade de leitura offline do Google Reader, implementada com base no Google Gears, para poder armazenar uma cópia do conteúdo dos feeds RSS que assino para leitura offline.

Quando ganhei o netbook, utilizei a instalação Windows XP que veio com o mesmo (com licença, tudo oficialmente legal) para testar todos os componentes de hardware e somente depois acabar com o Windows e instalar Linux.

Uma das coisas com as quais fiquei feliz, na época, foi o fato de conseguir ter o Google Reader funcionando com o Google Gears na versão do Google Chrome, meu navegador preferido, para Windows XP.

Fiquei bastante contente e comecei a imaginar que tinha resolvido o meu problema de conseguir levar comigo minhas informações para onde eu as quisesse disponíveis. Obviamente, não era em tempo real, mas já quebrava um galho.

Qual não foi minha decepção ao descobrir que a leitura offline do Google Reader, com base no Google Gears, não funciona na versão do Google Chrome para Linux. O Google Gears, na verdade, não é instalável no Google Chrome para Linux.

E como dizem por aí que o Google estaria abandonando o Google Gears para implementar a mesma funcionalidade em HTML5, até que isso seja feito, infelizmente, provavelmente não teremos leitura offline para o Google Reader funcionando no Google Chrome para Linux.

Porém, somente hoje, acabei tropeçando sem querer na informação de que o Liferea, um leitor de feeds offline que usei muito no passado, possui suporte a sincronização com o Google Reader.

Fiquei muito contente com isso. Instalei o Liferea novamente rapidamente, consegui apontar para o Google Reader como fonte de feeds (somente fornecendo as credenciais de minha conta Google) e em poucos minutos estava com ele sincronizado com o Google Reader.

O interessante é que a sincronização e de mão dupla, ou seja, o que você lê offline é marcado como lido na versão online e vice-versa. No Liferea, você ainda pode marcar posts como “starred”, da mesma forma que o faz na interface Web do Google Reader.

Adicionalmente, no Liferea, você ainda tem a funcionalidade “broadcast-friends”, a qual lhe permite visualizar os posts compartilhados por seus contatos Google que compartilham seus feeds no Google Reader.

Obviamente, o suporte ao Google Reader no Liferea não possui todas as funcionalidades que a interface Web do Google Reader possui, mas possui todas as principais funcionalidades e  a funcionalidade mais útil está lá : sincronizar suas leituras de e para o Google Reader.

Agora, com o netbook, posso ter comigo minhas informações da forma como as quero, em qualquer lugar, e ter certeza que não estaria lendo informações duplicadas por estar lendo as mesmas uma vez em uma versão offline e outra em uma versão online do Google Reader.

Isso tudo acontece sem a necessidade de acesso a Internet durante minha movimentação diária e sincronizo as informações de e para o Google Reader quando chego em algum local onde conexão a Internet esteja disponível. Bastante cômodo.

Obviamente, uma solução final perfeita para a leitura offline (ou para a leitura online através de um gadget que esteja sempre conectado e que seja financeiramente viável) ainda não existe.

Essa é a forma que eu passarei a adotar para lidar com minhas leituras e acredito que a mesma seja um bom meio termo entre facilidade, comodidade e bom tratamento ao meu pobre e coitado bolso.

Agora, o que falta somente é realmente poder sacar o netbook da bolsa, abrí-lo e utilizá-lo dentro de um trem (não um metrô) metropolitano em São Paulo e não temer por perder sua vida sendo assaltado.

Nessas horas, sinto inveja do pessoal da Europa, os quais, segundo fiquei sabendo, fazem isso rotineiramente. Por lá, aparentemente, utilizar notebooks/netbooks dentro de trens é tão comum quanto é usar o celular em trens de São Paulo.

E você? Como você lida com sua leitura diária e como consegue se manter atualizado? Você consegue utilizar suas horas perdidas dentro do transporte público para colocar sua leitura em dia? De que forma? Qual a sua solução?

Repositórios de conteúdo : sua passagem para a nuvem com opção de retorno

Uma das coisas sobre as quais estive lendo ultimamente é sobre repositórios de conteúdo. OK, eu admito, não fui atrás do assunto procurando exatamente por repositórios de conteúdo.

Aliás, eu nem mesmo tinha idéia do que esse termo significava há alguns minutos atrás, antes de começar a escrever esse texto no bom e velho Tomboy e depois passar para o WordPress.

Assino vários feeds RSS, em sua grande maioria relacionados a tecnologia e software livre/aberto de uma forma geral e o assunto foi trazido através de um deles. Fiquei sabendo sobre o o termo técnico correto, repositório de conteúdo, quando li um post no Planet GNOME sobre o assunto.

Antes disso, eu sempre batia os olhos em notícias/posts sobre o Midgard, mas nunca havia dado a devida atenção, simplesmente não me interessava nem mesmo em saber do que se tratava.

Isso mudou após a leitura do post citado acima, onde o autor deixou um link para um outro post de sua autoria, onde o mesmo argumenta porque você deve utilizar um repositório de conteúdo para sua aplicação.

Logo no início da leitura, fiquei sabendo que o Midgard2 é uma bilbioteca de repositório de conteúdo. O autor do post deixou outro link para slides de uma palestra que o mesmo proferiu, onde o mesmo compara o Midgard2 com o CouchDB para essa funcionalidade de repositório de conteúdo.

Como eu já estava interessado no CouchDB, não por necessidade profissional (infelizmente, não trabalho com desenvolvimento), mas por curiosidade mesmo, achei o assunto interessante o bastante para valer um texto sobre o mesmo.

O meu interesse no CouchDB inicialmente foi somente devido a outro motivo, mais especificamente, o projeto DesktopCouch. Achei interessante a idéia do projeto, de armazenar as configurações dos aplicativos desktop no CouchDB e tirar proveito das características inerentes do CouchDB para conseguir replicação e sincronização automáticas de dados entre computadores distintos.

Basicamente, segundo o que entendi, o CouchDB e o projeto DesktopCouch são a base do serviço UbuntuOne, fornecido pela Canonical, empresa patrocinadora da distribuição Ubuntu.

Resumindo de uma forma fácil de se compreender, ou seja, tirando os detalhes técnicos, o UbuntuOne é basicamente um espaço “na nuvem” (sim, novamente, cloud computing) oferecido pela Canonical para que suas aplicações consigam armazenar suas configurações.

Uma vez que as aplicações sejam escritas tirando proveito do DesktopCouch, o qual se baseia no CouchDB, temos o ponto de troca em comum entre todos os seus computadores (a nuvem ou, no caso, sua conta no UbuntuOne) para troca de informações.

A idéia é você ter as preferências, configurações específicas de suas aplicações, notas do Tomboy e, quem sabe, futuramente, dados, armazenados em um local único, ao qual todos os seus computadores teriam acesso.

Dessa forma, mudar uma preferência em uma aplicação não exigiria que você lembrasse de mudar a mesma preferência na mesma aplicação em outro computador, já que a mesma seria replicada automaticamente para seu outro computador.

A idéia é interessante. É basicamente o que o Google faz com suas aplicações Web, mas levado ao reino das aplicações desktop comuns, não lhe obrigando a utilizar somente aplicações Web para se beneficiar da sincronização e replicação automática de configurações/dados entre seus computadores.

Tudo muito bom, mas vocês provavelmente devem ter pensado que tudo isso seria meio preocupante. Afinal, você estaria, em nosso exemplo, deixando todos os seus dados de configurações de aplicativos e, futuramente, seus próprios dados (arquivos de dados), na mão de uma única empresa : a Canonical, através do serviço UbuntuOne.

Ou seja, você foge do Google por um lado e cai nas mãos da Canonical de outro lado. Obviamente, não é uma situação desejável para aqueles que prezam por sua confidencialidade.

O fato é que, felizmente, o projeto DesktopCouch, apesar de estar sendo desenvolvido dentro do projeto Ubuntu, não é um projeto exclusivo para uso sob a distribuição GNU/Linux desenvolvida pelo projeto Ubuntu.

Como você pode perceber no link que deixei no início desse texto sobre o DesktopCouch, apesar do serviço UbuntuOne utilizar como base o CouchDB e o projeto DesktopCouch, esses últimos dois projetos citados, CouchDB e DesktopCouch, são projetos de softwares livres independentes.

O primeiro, CouchDB, é um projeto sob a tutela da Apache Software Foundation e o segundo, DesktopCouch, é um subprojeto da iniciativa FreeDesktop.org, a mesma iniciativa que hospeda diversos projetos agnósticos em relação ao ambiente desktop, ou seja, projetos que definem padrões comuns para desktops livre como GNOME, KDE, XFCE, etc.

Sendo projetos independentes, tanto do controle de uma única entidade corporativa (empresa) quanto de distribuições, a idéia é que todo o código produzido pelos mesmos, o qual está sendo produzido sob licenças livres, fique disponível para uso de qualquer distribuição GNU/Linux e de qualquer outro sistema operacional compatível.

O que eu vejo para o futuro é o trabalho desses projetos sendo incorporado pelos desktops livres (GNOME, KDE, XFCE, etc) e essas tecnologias estarem disponíveis para qualquer usuário, de qualquer distribuição GNU/Linux, livremente.

Dessa forma, acredito que qualquer pessoa poderia ter um servidor virtual pessoal, com sua própria instância pessoal de CouchDB em execução, servindo como ponto comum entre suas instâncias locais de CouchDB em cada um de seus computadores.

Ou seja, cada um poderá ter sua própria “nuvem” particular, sem necessariamente depender de um serviço de terceiros e sem entregar seus dados pessoais/particulares a um serviço que pode (mas não necessariamente vai) simplesmente desaparecer futuramente, junto com seus dados.

Netbook MOBO 1050 White : presente de natal recomendado

Faz um tempo que não escrevo nada. Muito para fazer, pouco tempo livre disponível e muita preguiça levam a isso, mas não vou tentar me desculpar mais do que isso, esqueçam 🙂

O que me levou a escrever este post foi o recebimento de meu novo brinquedo : um netbook MOBO 1050 White da Positivo. Sim, eu também tive a mesma reação da maioria de vocês quando soube que eram um Positivo, mas agora, depois de utilizá-lo por alguns dias, minha primeira impressão se provou completamente errada e eu assumo que tinha um pré-conceito injustificável.

Para começar, um aviso : não comprei o brinquedo. Ganhei em um sorteio no final de ano em uma festa da empresa onde trabalho. Obviamente, isso me fez gostar ainda mais do brinquedo, uma vez que, além de toda a utilidade que ele possui, a cereja no bolo foi o fato dele não ter me custado nada.

O modelo que eu ganhei, estranhamente, difere do que eu encontrei por aí em relação ao MOBO 1050 White em um ponto : ele possui um HD SATA de 160GB e não um HD SATA de 120GB, como todos os reviews que eu encontrei diziam. Melhor, obviamente. Não reclamo de nada.

O brinquedo vem com Windows XP SP3 instalado, alguns softwares básicos e uma licença de um ano de uso do antivírus Kaspersky 6.0, bem como acesso ao dicionário Aurélio online por um tempo determinado (não me recordo se são seis meses ou um ano).

Fiquei com o Windows XP instalado por pouco mais de 24 horas, basicamente para poder testar rapidamente o funcionamento dos itens de hardware. Sim, eu poderia simplesmente instalar Linux e testar o hardware já sob Linux, mas os testes sob Windows me ajudariam a apontar algum possível problema de hardware  que por ventura existisse, uma vez que os fabricantes simplesmente ignoram relatos de problemas com hardware quando o sistema operacional utilizado difere do sistema operacional padrão pré-instalado.

Após testar todos os componentes, instalei Debian GNU/Linux 5.0.3 (codinome Lenny) através de um pendrive USB que possuo, já que o brinquedo, como todo netbook, não possui leitor de CD/DVD (eu não senti falta nenhuma de um até agora, na verdade).

Após instalar um sistema básico, atualizei para a versão instável do Debian GNU/Linux, a qual sempre utilizei em minhas máquinas pessoais desde sempre. Nenhum problema foi notado, tudo funcionou conforme esperado.

No momento, tudo está funcionando corretamente : portas USB (duas na lateral esquerda e uma na lateral direita), leitor de cartões multi-formatos, webcam embutida, microfone também embutido, conectores de fones de ouvido e microfone externos, porta Ethernet PCI-Express e interface wireless embutida.

Fazer a webcam funcionar, após atualização para Debian unstable (não testei antes de atualizar), foi somente questão de executar o aplicativo Cheese do GNOME e já visualizar as imagens sendo capturadas corretamente. Sim, somente isso, mais nada. Não foi necessário me preocupar com módulos de kernel, parâmetros de inicialização para módulos e nada do tipo.

A interface wireless também funcionou de maneira fácil. Com o NetworkManager instalado, simplesmente selecionei o rede wireless doméstica na lista de redes wireless detectadas, forneci minha passphrase privada e pronto, já estava acessando a Internet sem fio a partir do sofá da sala.

A duração da bateria (dizem ser uma bateria de seis células, mas eu não estou nem aí para que tipo de bateria é) também é ótima. Testei utilizando o netbook desconectado da fonte de energia externa, somente na bateria, com o wireless ligado e utilizando o acesso a Internet (navegação em múltiplas abas no Google Chrome, e-mails no Icedove, mensagens no Empathy, acessando diversos servidores remotos via SSH) e a bateria durou quase 5 (sim, cinco) horas.

O processador, um Atom N270 de 1,6GHz, foi pensando exatamente para economia de energia e isso provavelmente influenciou no ótimo tempo de duração da carga da bateria. O brinquedinho vem por padrão com 1GB de memória RAM e, ao menos por enquanto, eu não pretendo adicionar mais memória.

A utilização de memória fica normalmente perto dos 300MB com o GNOME aberto e todas as aplicações citadas acima abertas ao mesmo tempo. A utilização de processamento fica geralmente abaixo dos 10%, com alguns picos quando visualização de vídeos, por exemplo, é utilizada, mas nada que comprometa a performance do sistema como um todo.

Não testei hibernação (para disco), mas testei suspensão (para RAM) e funcionou maravilhosamente bem, de forma bem rápida, tanto para suspender para RAM quanto para restaurar de uma suspensão. Todos os dispositivos, como a interface wireless, por exemplo, voltam funcionando corretamente após retornar de uma suspensão para RAM.

Além dos pontos citados acima, o que mais me chamou atenção de uma maneira positiva foi o fato de que o brinquedinho é muito silencioso, algo que eu aprendi a gostar quando comprei um MacBook, há uns dois anos atrás. Além do silêncio, ele também praticamente não esquenta.

Estou escrevendo este post do sofá da sala de casa, via wireless, e o netbook está apoiado no colo, tendo sido utilizado desde o início da manhã. Não consigo perceber nenhum aquecimento nas pernas, nem mesmo se eu colocar as mãos na parte inferior da estrutura do chassi.

Segundo a documentação, ele possui 1,3Kg de peso total, acredito que já com a bateria de seis células incluída. Nada mal. Eu já achava o MacBook leve em comparação com outros notebooks. Agora, com o MOBO, passei a achar o MacBook pesado. Questão de percepção, óbvio.

No geral, gostei muito do brinquedo. Obviamente, não substitui totalmente um desktop nem mesmo um notebook, mas para as tarefas mais triviais, como navegação na Internet, leitura de e-mails, bate-papo online, blogging/micrblogging e plataforma móvel de acesso remoto (SSH FTW), o MOBO atende muito bem as necessidades.

Como ganhei o brinquedo, o considero ainda melhor, mas eu o recomendaria para quem tivesse interesse em adquirir um netbook. De fato, se eu não o tivesse ganhado e somente tivesse passado pela experiência de tê-lo utilizado por alguns dias, como eu o fiz até o momento, poderia adquirí-lo tranquilamente.

Não tenho idéia do preço (lembre-se que eu não o comprei, mas sim o ganhei), mas acredito que o valor do mesmo atualmente esteja por volta dos R$ 1.000,00, provavelmente um pouco abaixo desse valor. E vale a pena, com certeza.

Fighting temptations : How to convince yourself not to buy when you want to

I’m widely know (by my peers, not globaly know, as you may guess) for being a well controlated person when it comes to spending my sacred and beloved money. Actually, I’m so well controlated that I’m sometimes seen as someone who hates to spend money.

Sometimes I’m almost convinced that people thinking that way about me are right, but then I get back to my conscious mind and realize that they think like this because people tend not to agree with what they don’t practice and, generally speaking, society has been continuosly teaching them to become as consumists as possible.

Obviously, I’m not completely protected against consumism, as I’m human and have as much desires as anyone else, but I think I’m doing well on keeping myself from being taken to the path which lead us to bit the bullet and spend our money on something.

What contributes to this control also demonstrates how we’re used to learn better only from mistakes, as I already spent too much money on things which I initially thought I desperately needed, but which after I realized weren’t actually all that much needed after all.

I have been trying to avoid wasting money on an e-book reader for months. At the beggining it was a piece of cake, as there wasn’t a real option (mind you that I live in Brazil, not in the USA or some other so called first world country). However, in the last few months, the scenario has been changing and it seems that these days there are actually some options available.

I have been researching privately about options for months and have become well aware of all the advantages and disavantages of all the options available today. Sorry, I won’t be pointing the right option to you, as your best option probably will be different from mine and recommending things isn’t the point of this post.

Technically speaking, the options available today seems to provide me with what I need. There are no doubts that almost any of them would be good (but not all of them would be “the right”) choices and actually would represent a real improvement over the current situation.

So, one might ask, why not go ahead and just buy the damn thing ? For most of the people out there, it would seem to be the right thing to do, as I would be doing conscious and well researched purchase after all. Well, I would be doing something good for myself for sure, but the government actually would need to show me some respect and prove me they have some respect for me as well.

Amazon, for example, is shipping the Kindle for other countries and Brazil is one of them. I would surely just go ahead and buy it the day the shipment was announced and that was almost what I did. What prevented me from doing so was the insane/absurd takes government is applying on anything one wants to import from another country.

Even after converting the price from dollars to the local currency (reais), the price is something like three to four times higher that the original price in the origin country. It’s insanely prohibitive for the vast majority of citizens and one could wonder why this is so when this is a device used basically for reading. Mind you that the government has big tax reductions for importing books, for example, which are seen as culture related items and so get to win some advantages over other non-culture related items.

To summarize it all, if you want to convince yourself how not to spend money on something, even when you really want to, just do the math regarding the amount of the taxes you would need to pay and I assure you there will be no regrets when latter you think why you did not bought it.

Public service announcement : A LDAP directory won't do it all by itself

Recently I’ve been dealing with requests for LDAP directories configs which clearly demonstrates how little people understand about directories and what they are capable of doing. A significant amount of people I know seems to really get it wrong when it comes to what they want from a directory.

Actually, they somehow think that a LDAP directory will do whatever is needed for their application to store, retrieve, validate, authenticate and even take decisions based on no data provided at all. These people think that one should just deploy a directory using the minimum effort approach and suddenly everything will just work.

They don’t seem to realize that for their application to make use of a directory it should be prepared to do so. They can’t accept it when they are told that the directory won’t just work and by some unknow enchantment get their systems data stored, validated, authenticated and, shockingly for them, that it won’t make their credentials consolidated so lots of different services will out of the box just start working using the same username/password pair.

Also, some people don’t understand the difference between a LDAP directory and a single sign-on (SSO) system. They don’t realize that a directory won’t, by itself (i.e. without additional software and some respectable amount of tweaking), provide them the ability to authenticate against it only a single time and have their credentials shared among all their systems.

That’s it. Said. Don’t get me wrong. All that was metioned above is possible, but it isn’t done by LDAP alone. LDAP is just a bunch of protocols and a directory is only one nice place to store information. What will be done with this information, how it wll be treated and how it could be used to produce meaningful results are almost always up to the application and/or to some “middleware” or added plugin/overlay/connector/whatever.

Next time someone ask you to “install LDAP so I can get rid of all my different username/passwords and use only one instead”, be afraid. Be very afraid and present him/her some theorical knowledgment regarding the topic. Or, better said, insert some clue into his/her brain.