Liberdade

Olha que limpinho …

Senta que lá vem história.

No Reino de Humanória, um extenso período de paz e prosperidade foi conseguido. Cidadãos sem preocupações, completamente felizes e abonados o suficiente a ponto de poderem terceirizar a higinienização de grandes quantidades de louça suja não tinham mais medos e muito menos grandes sonhos a serem realizados.

Como era de se esperar, uma vez que eram todos da raça humana, os felizes cidadãos começaram a procurar formas de se divertirem e ocuparem seu agora infinito tempo livre. Em uma estranha reviravolta, a qual explica que felicidade demais nunca é boa, os sorridentes cidadãos inventaram um jogo interessante.

O jogo consistia na observação da vida alheia. Era algo que demandava enormes quantidades de tempo livre, o que todo cidadão de Humanória tinha de sobra, obviamente.

Sempre que alguém observava algo com o que não concordava, imediatamente tentava persuadir o colega a mudar sua opinião, seus atos e seu modo de pensar.

Alguns tiveram grande êxito, outros nem tanto, mas com o tempo, virtualmente todos os cidadãos acabaram por concordar com uma única forma de pensar, de ver a vida, de ideologia política, de religião, time de futebol, orientação sexual e, pasmem, até de sistema operacional a ser utilizado.

Certamente, haviam pessoas que não concordavam com uma única forma de levar a vida e de ver a tudo e a todos, mas esses eram uma quantidade tão pequena que não tinham importância e acabavam por serem ignorados pela sociedade.

Eram desajustados, não conseguiam enxergar a verdade, a razão, o certo, o correto. Eram deixados de lado para eventualmente deixarem de existir ou finalmente serem convertidos devido a pressão social.

Sim, como podemos perceber, Humanória era um local bastante chato de se viver. Pensava-se terem atingido a perfeição, mas o fato era que deixaram de lado sua liberdade de pensar e de ter opiniões próprias para aderir a algo que acreditaram ser um bem maior.

Um bem maior altamente questionável, é verdade, mas é o que se acreditava. Eu, você e acredito que a maioria das pessoas que conhecemos provavelmente não aceitariam viver em uma sociedade organizada dessa forma, onde somos obrigados a concordar com uma única forma de viver, pensar e nos relacionar uns com os outros.

O pessoal da área de tecnologia de Humanória desenvolveu seu próprio sistema operacional, seus próprios programas, reinventaram diversas rodas, mas tudo por um bem maior. E, como tudo mais, todos acabaram meio que sendo levados a utilizá-los, já que quem não o fazia ficava marginalizado. Esse sistema operacional era livre, claro.

Eu, obviamente, só conto histórias. Não vivo em Humanória. Não gostaria de viver lá. Não tenho apreciação pelas idéias nem me sujeitaria a concordar com uma única forma de ver tudo, a todos e de viver.

Por esse mesmo motivo, acho bem “bobo”, para dizer o mínimo, quando algum pseudo-intelectual, ou mesmo quando qualquer outro esteriótipo de criatura tenta convencer outra criatura que sua forma de fazer ou entender algo é a melhor, mesmo sem que sua opinião seja solicitada.

Vamos deixar algo bem claro, OK ? Eu penso o que penso, sou o que sou, faço o que faço e uso o que uso porque eu quero. Eu decidi. Se eu decidi errado, o problema é meu, somente meu. Não queira ser tão bondoso a ponto de me mostrar o caminho da luz.

A minha luz pode ser as suas trevas, mas o contrário também pode ser verdade. Mas não é por isso eu vou pregar a minha verdade e tentar convencê-lo de que o meu jeito é o correto. Cada um na sua, certo ? Quer minha opinião ? Peça. Mas não espere que eu esteja pronto para lhe vender uma idéia. Esteja pronto para experimentar e fazer sua própria escolha, no seu tempo.

Estou escrevendo esse texto usando Windows. E daí ? Uso Windows sim, também uso OSX, também uso Linux. O mais legal disso tudo é que eu estou tranquilo quanto a isso e uso o que eu quero quando acho adequado. Nem é questão de usar a ferramenta certa para o trabalho. É questão de ter a liberdade de fazer o que eu quero, quando eu quero. Porque sim. Simples assim.

O problema do século é a falta de pias de louças sujas para serem lavadas. Por isso eu tenho tanta raiva das fabricantes de máquinas de lavar louças. Inventaram essa traquitana que permitiu que virtualmente qualquer um se transformasse em um doador de pitacos profissional em potencial.

Vou te contar um segredo : eu não tenho uma lavadora de louças. Se estiver com uma vontade tremenda de cuidar da minha vida, ao menos venha aqui em casa cuidar da pia de louças sujas e, quem sabe, podemos negociar minha atenção.

Beleza ?

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Um comentário sobre “Liberdade

  1. Haha, ótimo texto, neste momento estou escrevendo num Windows Phone, uso Windows 8 e Linux no meu notebook, uso o google chrome e acesso os serviços online do google e microsoft e acesso através de Oi Velox e Vivo 3G, quem não gosta q venha capinar terreno…

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