Como não se dar mal : pergunte-me como!

Uma das coisas que sempre me questionei na vida foi porque os adultos insistiam tanto em coisas que, à época, em minha infância, pareciam tão exageradamente chatas.

Seja uma boa pessoa. Seja educado. Estude. Não tenha vícios. Não faça aos outros o que não gostaria que lhe fizessem. Coisas obviamente chatas e nada interessantes quando estamos no início de nossas vidas.

Na época adolescência nos parecem ainda pior, uma vez que nessa época estamos atolados de hormônios ocupando o lugar do cérebro e tendemos a agir de forma insana muito facilmente.

Quando você começa a entrar na vida adulta, começa a sentir uma dificuldade imensa em entender tudo. A vida passa a ficar bem mais complicada e tudo parece algo extremamente complicado e de outro mundo.

É natural, já que você passa a ter que se comportar e agir como adulto caso queira ser respeitado e ter chance de conseguir algo na vida. Ninguém gosta de um “adultocente” (um adulto com comportamento adolescente), por mais que digam o contrário e que possa lhe parecer “cool” ter sempre uma atitude jovem.

Ter um espírito jovem não significa fazer as mesmas bobagens que você fazia na adolescência, com toda a falta de experiência e todos os hormônios que podiam ser utilizados como desculpa. Parece óbvio, mas muito gente não entende isso.

Aliás, muito gente não entende conceitos básicos. Aliás, muita gente parece ter que ser agredida fisicamente para começar a fazer os neurônios funcionarem no tranco, dada a quantidade de bizarrices e vidas desperdiçadas que vemos por aí.

O problema principal é que as pessoas parecem utilizar o cérebro somente esporadicamente. Sério, esse monte de peso que você possui dentro de sua caixa craniana não está aí somente para fazer peso. Use-o.

O ser humano possui habilidades espantosas, mas  existem pessoas que atendem o instinto selvagem de forma tão rápida e conseguem acionar seus orgãos menos intelectuais de forma tão fácil que parecem nem precisar ter um cérebro para acioná-los.

Infelizmente, mesmo sabendo que o cérebro é o que comanda todos os outros membros e orgãos do corpo e por isso é utilizado quase que inconscientemente de forma constante, as pessoas parecem esquecer que ele existe, na grande maioria das vezes.

Voltando ao assunto dos conselhos paternos, na vida adulta você começa a ter lampejos de entendimento do significado dos mesmos. Ainda os tem como chatos, mas entende que são necessários.

Nossos pais não nos diziam detalhes indicando a razão de você realmente ter que seguir seus conselhos simplesmente porque não estávamos preparados intelectualmente para entendê-los.

O mais lamentável é que, na vida adulta, muitas pessoas continuam parecendo não ter a capacidade intelectual de entendê-los. Não é culpa do cérebro. Como um orgão, ele precisa ser exercitado ou fatalmente irá atrofiar.

E não há uma forma de exercitar o cérebro senão consumindo cultura. Lendo, escrevendo, vendo filmes interessantes, discutindo sobre questões importantes, conhecendo opiniões e pontos de vista e compartilhando suas opiniões e pontos de vistas. Tudo isso exercita o cérebro.

Da mesma forma que sentimos dor nas pernas e nos braços quando vamos à academia em uma primeira vez, não é fácil iniciar sua vida cultural. Felizmente, da mesma forma que seu corpo se adapta aos exercícios e passa a suportar cargas mais intensas, seu cérebro se alimenta da cultura e passa a solicitar mais.

De forma similar aos exercícios, cultura também faz bem a saúde, mais especificamente a sua saúde mental. E todos sabemos que somente exercitar um em detrimento do outro não é uma boa idéia. Mente sã, corpo são.

O que é difícil de entender é que as pessoas da sociedade atual possuem a sua disposição uma ferramenta global, altamente útil e repleta de todas as forma de cultura como a Internet e não a utilizam.

Óbvio que se você está lendo este texto você utiliza a Internet, visto que não teria acesso ao mesmo de outra forma. É importante notar, no entanto, que ter acesso a Internet não necessariamente significa que você realmente a utiliza, que você realmente tira algum proveito da mesma.

Claro, com a Internet se tornando nossa segunda casa, nada mais natural do que se divertir com a mesma, procurando distrações e humor. Mas a Internet não serve somente para bater papo com seus amiguinhos e alimentar seus pequenos animais em suas minúsculas fazendas virtuais.

Você tem a disposição uma quantidade virtualmente infinita de informações sobre virtualmente qualquer assunto. Me espanta as pessoas ainda procurarem cursos e treinamentos nos dias atuais, quando tudo o que se precisa pode ser encontrado online.

Obviamente, é necessário foco para não se distrair e passar o tempo todo consumindo conteúdo inútil, mas o conteúdo relevante e útil está disponível e facilmente acessível. Na maioria das vezes, de forma gratuita.

É incompreensível ver pessoas reclamando de falta de oportunidades, se lamentando por não conseguirem um emprego ou uma promoção devido a não conhecerem um assunto específico ou mesmo pagando caros centros de ensino para tentarem adquirir conhecimento que já está livremente e gratuitamente disponível na Internet.

Uma pesquisa de 5 segundos, seguida de um clique de botão lhe separam da maioria do conhecimento que você precisa. Tecnologias atuais lhe permitem emular ambientes de tecnologia complexos nos quais virtualmente qualquer tipo de solução pode ser testada.

Nunca foi tão fácil ser autodidata. É só ter um pouco de força de vontade e perder alguns minutos e você certamente consegue encontrar qualquer coisa que precisar, bem como aprender sozinho o que precisa ou tem vontade de aprender.

Quanto mais você aprende, mais compreende a imensidão de assuntos interessantes e mais tem vontade de aprender. Seu cérebro lhe agradece, sua saúde lhe agradece, seus familiares e amigos lhe agradecem, a sociedade lhe agradece e você passa a ter a capacidade de entender que, lá na infância, os conselhos que seus pais lhe davam são totalmente relevantes.

São formas simplificadas de lhe dizer que você pode ser feliz e que, para isso, é só seguir as pistas que a vida lhe dá gratuitamente. Tudo e todos com os quais você tem contato formam sua vida e fazem parte da mesma.

Você começa aprendendo com as mais próximos, seus pais, e continua seguindo as dicas que lhe são dadas continuamente, mesmo que indiretamente, até o final de sua vida. A isso damos o nome de evolução.

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6 comentários sobre “Como não se dar mal : pergunte-me como!

  1. É isso mesmo André a muito tempo vejo esses absurdos e tento combate-los mas parece sempre inútil, recentemente fui levar a minha mãe fazer um exame de sangue no INCOR e lá uma senhora e sua filha também fazendo exames ao sairem a filha pergunta do vale lanche que sua mãe teria que ganhar e não ganhou a atendente lhe da outro vale e as duas se dirigiram a lanchonete em seguida também me dirijo com minha mãe e vejo as duas tomando café ou seja ela se aproveitou da cortesia e faturou um lanche gratuito oferecido aos pacientes. Veja bem eu vi outros viram e muitos talvez aprenderam como fazer a coisa errada e se dar bem até o dia que esse lanche não mais sera dado ou será dado apenas um suco como muitos laboratórios já o fazem.
    A ação de se fazer tudo da maneira correta pode também ensinar ou ser copiado por alguém, até mesmo passar num farol vermelho pode ser prejudicial quando outros estão vendo, imagine o exemplo que pode custar uma vida um dia.

  2. @v.for.vendetta.a

    Desculpe, mas não entendi realmente o que significa “domeificação”. A URL que você indicou não define o termo e o Google não retornou nada para o mesmo.

    Talvez você tenha tentado deixar algo subentendido ou entrelinhas, mas infelizmente não fui capaz de compreender. Caso tenha sido essa a idéia (deixar algo subentendido), o que posso lhe dizer é que, geralmente, sempre que tento usar essa tática acabo me dando mal.

    Inicialmente você até pensa que pode ser burrice de quem não entendeu, mas o fato é que compreendi que realmente não haveria como eu esperar compreensão sobre algo que somente eu estava pensando no momento em que tentei passar a mensagem sem passá-la literalmente.

    Com o tempo, aprendi que, para temas mais complexos, é sempre preferível tentar ser o mais didático possível.

    De qualquer forma, sinto informar, mas o texto que escrevi não tem relação alguma com anarquia e nem sequer imaginei nada relacionado a esse tema quando o estava escrevendo.

    Eu simplesmente pensei somente no que está contido no texto mesmo, não existe nenhum segredo ou mensagem oculta, nesse caso.

    Obrigado pela visita e pelo comentário.

  3. @Gerson

    Sim, existem muitos exemplos da Lei de Gerson, mas o texto que escrevi em momento algum foi escrito com base nessa idéia ou mesmo tentou demonstrar exemplos dessa Lei na prática.

    Novamente, o que o texto tentou passar é somente o que está contido literalmente no mesmo. Não se trata de referência a algum problema e/ou dificuldade obscura ou mesmo uma metáfora para algo mais profundo.

    É simples como o é, somente o que está escrito. De verdade.

    Obrigado pela visita e pelo comentário.

  4. @andrelop

    Ola André, obrigado pela resposta.

    No caso, o link do texto era simplesmente para explicar por que eu disse que isso é domestificação”. Não há nada de oculto, desculpe se meu comentário causou essa impressão.

    O que quero dizer, sobre meu ponto de vista ao ler é:

    “Quando você começa a entrar na vida adulta, começa a sentir uma dificuldade imensa em entender tudo.”

    Usando apenas um exemplo do seu texto, essa sensação é domestificação tal qual é feito pelas pessoas que possuem algum animal doméstico.

    Não sei se clariei ou piorei o sentido do termo que eu desejei passar… mas enfim, qualquer dia me pague uma cerveja que discutimos melhor isso 😀

    Abraços

  5. @v.for.vendetta.a

    OK, compreendido. Só achei estranho porque você usou a palavra “domeificação” em seu primeiro comentário e não “domestificação”, conforme utilizou no segundo.

    Agora começou a fazer algum sentido 🙂 Estava acreditando que se tratava de alguma palavra secreta desconhecida pela maioria dos dicionários e mecanismos de buscas.

    Eu somente não entendo seu ponto de vista, mesmo sabendo que agora se trata da palavra “domestificação”. Ainda mais relacionada ao trecho de texto que você citou.

    Não vejo como sentir dificuldades quando se começa a entrar na vida adulta possa ser algo relacionado a domestificação. Mas tudo bem, sem problemas, cada um tem sua opinião.

    Obrigado pelo comentário.

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