Repositórios de conteúdo : sua passagem para a nuvem com opção de retorno

Uma das coisas sobre as quais estive lendo ultimamente é sobre repositórios de conteúdo. OK, eu admito, não fui atrás do assunto procurando exatamente por repositórios de conteúdo.

Aliás, eu nem mesmo tinha idéia do que esse termo significava há alguns minutos atrás, antes de começar a escrever esse texto no bom e velho Tomboy e depois passar para o WordPress.

Assino vários feeds RSS, em sua grande maioria relacionados a tecnologia e software livre/aberto de uma forma geral e o assunto foi trazido através de um deles. Fiquei sabendo sobre o o termo técnico correto, repositório de conteúdo, quando li um post no Planet GNOME sobre o assunto.

Antes disso, eu sempre batia os olhos em notícias/posts sobre o Midgard, mas nunca havia dado a devida atenção, simplesmente não me interessava nem mesmo em saber do que se tratava.

Isso mudou após a leitura do post citado acima, onde o autor deixou um link para um outro post de sua autoria, onde o mesmo argumenta porque você deve utilizar um repositório de conteúdo para sua aplicação.

Logo no início da leitura, fiquei sabendo que o Midgard2 é uma bilbioteca de repositório de conteúdo. O autor do post deixou outro link para slides de uma palestra que o mesmo proferiu, onde o mesmo compara o Midgard2 com o CouchDB para essa funcionalidade de repositório de conteúdo.

Como eu já estava interessado no CouchDB, não por necessidade profissional (infelizmente, não trabalho com desenvolvimento), mas por curiosidade mesmo, achei o assunto interessante o bastante para valer um texto sobre o mesmo.

O meu interesse no CouchDB inicialmente foi somente devido a outro motivo, mais especificamente, o projeto DesktopCouch. Achei interessante a idéia do projeto, de armazenar as configurações dos aplicativos desktop no CouchDB e tirar proveito das características inerentes do CouchDB para conseguir replicação e sincronização automáticas de dados entre computadores distintos.

Basicamente, segundo o que entendi, o CouchDB e o projeto DesktopCouch são a base do serviço UbuntuOne, fornecido pela Canonical, empresa patrocinadora da distribuição Ubuntu.

Resumindo de uma forma fácil de se compreender, ou seja, tirando os detalhes técnicos, o UbuntuOne é basicamente um espaço “na nuvem” (sim, novamente, cloud computing) oferecido pela Canonical para que suas aplicações consigam armazenar suas configurações.

Uma vez que as aplicações sejam escritas tirando proveito do DesktopCouch, o qual se baseia no CouchDB, temos o ponto de troca em comum entre todos os seus computadores (a nuvem ou, no caso, sua conta no UbuntuOne) para troca de informações.

A idéia é você ter as preferências, configurações específicas de suas aplicações, notas do Tomboy e, quem sabe, futuramente, dados, armazenados em um local único, ao qual todos os seus computadores teriam acesso.

Dessa forma, mudar uma preferência em uma aplicação não exigiria que você lembrasse de mudar a mesma preferência na mesma aplicação em outro computador, já que a mesma seria replicada automaticamente para seu outro computador.

A idéia é interessante. É basicamente o que o Google faz com suas aplicações Web, mas levado ao reino das aplicações desktop comuns, não lhe obrigando a utilizar somente aplicações Web para se beneficiar da sincronização e replicação automática de configurações/dados entre seus computadores.

Tudo muito bom, mas vocês provavelmente devem ter pensado que tudo isso seria meio preocupante. Afinal, você estaria, em nosso exemplo, deixando todos os seus dados de configurações de aplicativos e, futuramente, seus próprios dados (arquivos de dados), na mão de uma única empresa : a Canonical, através do serviço UbuntuOne.

Ou seja, você foge do Google por um lado e cai nas mãos da Canonical de outro lado. Obviamente, não é uma situação desejável para aqueles que prezam por sua confidencialidade.

O fato é que, felizmente, o projeto DesktopCouch, apesar de estar sendo desenvolvido dentro do projeto Ubuntu, não é um projeto exclusivo para uso sob a distribuição GNU/Linux desenvolvida pelo projeto Ubuntu.

Como você pode perceber no link que deixei no início desse texto sobre o DesktopCouch, apesar do serviço UbuntuOne utilizar como base o CouchDB e o projeto DesktopCouch, esses últimos dois projetos citados, CouchDB e DesktopCouch, são projetos de softwares livres independentes.

O primeiro, CouchDB, é um projeto sob a tutela da Apache Software Foundation e o segundo, DesktopCouch, é um subprojeto da iniciativa FreeDesktop.org, a mesma iniciativa que hospeda diversos projetos agnósticos em relação ao ambiente desktop, ou seja, projetos que definem padrões comuns para desktops livre como GNOME, KDE, XFCE, etc.

Sendo projetos independentes, tanto do controle de uma única entidade corporativa (empresa) quanto de distribuições, a idéia é que todo o código produzido pelos mesmos, o qual está sendo produzido sob licenças livres, fique disponível para uso de qualquer distribuição GNU/Linux e de qualquer outro sistema operacional compatível.

O que eu vejo para o futuro é o trabalho desses projetos sendo incorporado pelos desktops livres (GNOME, KDE, XFCE, etc) e essas tecnologias estarem disponíveis para qualquer usuário, de qualquer distribuição GNU/Linux, livremente.

Dessa forma, acredito que qualquer pessoa poderia ter um servidor virtual pessoal, com sua própria instância pessoal de CouchDB em execução, servindo como ponto comum entre suas instâncias locais de CouchDB em cada um de seus computadores.

Ou seja, cada um poderá ter sua própria “nuvem” particular, sem necessariamente depender de um serviço de terceiros e sem entregar seus dados pessoais/particulares a um serviço que pode (mas não necessariamente vai) simplesmente desaparecer futuramente, junto com seus dados.
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