O que lhe fortalece é o que lhe mata

Não sei ao certo se já ouvi ou li isso em algum lugar, mas o fato é que a frase título desse post me veio a cabeça hoje pela manhã, em mais uma das muitas massagens intelectuais que teimam em não me abandonar.

Provavelmente eu estava pensando em algum outro assunto, mas acabei entendendo que é possível perceber claramente a comprovação da verdade contida nessa frase em muitas situações e em muitos campos do conhecimento humano.

Provavelmente estou me apropriando de um pensamento de um sábio chinês, mas eu não fui capaz de pesquisar se é esse realmente o caso. O que importou, nesse caso, foi o momento, uma vez que eu já estava percebendo o padrão do esquecimento das idéias sendo iniciado.

É interessante notar que o conceito contido nessa frase, se relacionado a tecnologia, pode nos levar a também relacionar esse conceito a conhecida idéia de que a maioria das pessoas estão dispostas a aceitar algo de qualidade mediana caso isso lhe traga algum benefício não oferecido pelo produto/tecnologia/serviço de qualidade superior.

E, no final, após sofrermos muito tentando compreender porque isso ocorre, podemos ir tão fundo quanto alcançar motivos psicológicos, tanto que, a partir de um certo ponto, é menos desgastante nos rendermos a mediocridade e aceitarmos que um produto/tecnologia, por vezes, tem que oferecer menos para, na visão de seus possíveis usuários, oferecer mais.

Less is more, como diziam os sábios, os quais já refletiram muito sobre esse assunto há tempos atrás e nos deixaram suas impressões do mundo, do ser humando, do universo e tudo mais. Mesmo que nós, Unixistas, saibamos que less e more são criaturas independentes em nosso mundo, representando conceitos opostos.

Uma tecnologia ou produto pode facilmente morrer não por ser ruim, mas sim por oferecer funcionalidades ou liberdades demais. Sim, estranho, e eu ainda sou resistente a aceitar essa idéia, como a maioria dos poucos leitores deste blog provavelmente o são.

Mas o fato é que, infelizmente (ou felizmente, tudo possui ao menos dois pontos de vista), o mundo não é formado de pessoas que compartilham nossa mesma visão de tudo e todos. Por isso, o que é ruim para nós pode ser completamente aceitável, ou mesmo perfeito, para outros.

Por vezes, um subconjunto de um produto ou tecnologia, mesmo sendo incompleto e, em nossa visão técnica da realidade, inaceitável para os mais exigentes, é exatamente do que a maioria das pessoas precisa. Ou, pelo menos, do que a maioria das pessoas vai pensar precisar após uma certa dose de psicologia e marketing serem embrulhados com o produto ou tecnologia em questão.

Lógico, sempre existirão os mais exigentes, que não aceitarão algo de qualidade duvidável somente pelo simples fato de serem, digamos, mais simples, para não recorrer a termos chulos.

Porém, a esses, pode ser atribuído um termo interessante inventado há um certo tempo : nicho. Sim. Nicho. O que desvia da curva padrão, do largamento aceito pelo público mediano, geralmente é o nicho.

E, apesar de sempre que leio a palavra nicho algo depreciativo me vem a mente, um nicho não é realmente algo ruim. É sim, obviamente, algo que não faz parte da realidade ou é objeto de desejo das massas e, só por isso, já tem seu valor. Mas é também algo que denota um público mais seletivo.

Se você não se contenta com o que lhe é oferecido, o padrão que é fornecido a todos, o mais estrategicamente e corporativamente viável para os fornecedores, a ponto de ser oferecido como o produto principal, desejado pela grande massa, você é seletivo e, provavelmente, faz parte de um nicho qualquer.

Depois de muito tempo, aprendi a aceitar que faço parte de diversos nichos. Sim, porque, como objetos passíveis de aceitarem inúmeras tags, podemos estar contidos em diversos nichos ao mesmo tempo, nichos não necessariamente relacionados entre si.

Gosto musical, preferência literária, tecnologias preferidas e muitos outros exemplos. Nichos existem em todos os lugares, para todos os surfadores da onda que desvia a curva.

Felizmente, nos tempos atuais, não somos mais tão excluídos da sociedade como éramos anteriormente. Ao contrário, atualmente, ser diferente é ser cool. Não que você tenha que ser diferente para parecer cool, até mesmo porque tudo que é forçado é facilmente detectável.

Também felizmente, como escritores pensadores de “nichos” nos fizeram perceber, a cauda é bem mais longa e, devido a isso, há espaço para qualquer idéia, pessoa, tecnologia, produto, vício ou “droga” preferida sobreviver e, com isso, novos e interessantes nichos serem criados.

A era da informação nos trouxe a sociedade dos nichos, da qual eu, orgulhosamente, começo a me aceitar como participante. E você ? Ainda vai continuar a seguir a curva padrão ?

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3 comentários sobre “O que lhe fortalece é o que lhe mata

  1. A frase correta (aproximadamente) é “o que não me mata me fortalece”, é do Nietzsche.

    Mas há uma outra frase que tem um sentido próximo da sua: “quod me nuitre me destruit”, do latim: Aquilo que me nutre me destrói … (lembro desta por causa de uma tatuagem da Angelina Jolie.

    Gostei do seu texto.

  2. @Fabio

    A do Nietzsche é inversa ao sentido que eu quis passar. Só esse “pequeno detalhe” 🙂

    A da Angelina Jolie, por outro lado, tem o sentido correto. Uma única mulher maravilhosa não pode estar errada, é óbvio. Um horda de lemmings, evidentemente, estão.

    Obrigado pela visita e pelo comentário.

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