Geeks, nerds e a difícil fuga da depressão

Vem se tornando uma tendência. Diariamente, recebo pequenas provas de que, apesar da tecnologia nos trazer a possibilidade de termos contato com cada vez mais pessoas, a mesma também traz problemas que anteriormente seriam impensáveis e acaba nos afastando de muitas pessoas.

Tudo pode ser feito instantaneamente. E se existe essa possibilidade, então o lema agora é que assim deve ser. Afinal, por quê não aproveitar em sua totalidade tudo o que a tecnologia tem a nos oferecer ? O grande problema nisso é que, no meio do caminho, nos esquecemos que, para lidar com a tecnologia, ainda precisamos de pessoas.

E pessoas, ao contrário da tecnologia, não costumam ser instantâneas, imediatas, tão perfeitas ao ponto de lhes exigirmos que tudo esteja pronto para ontem. Por mais que tenhamos visto isso há décadas em filmes, pessoas ainda não aprenderam o dom da telepatia e, por isso, ainda não aprenderam a interpretar nossos pensamentos, atendendo nossos desejos antes mesmo de nos pronunciarmos verbalmente sobre os mesmos.

Acostumados com a rapidez da tecnologia, assumimos que as coisas devem ser feitas de forma instantânea. Não aceitamos esperar em filas de bancos se podemos resolver tudo pelo serviço de atendimento online. Não queremos conversar com atendentes se um sistema de menus e alguns toques nas teclas certas nos levam ao o que queremos.

Cada vez mais, nos distanciamos do contato com o ser humano, exatamente por estarmos acostumados a lidar com máquinas, geralmente perfeitas e rápidas, que não nos fazem perguntas indesejadas e somente realizam o que lhes comandamos. Em nossa visão, ao lidar diretamente com o ser humano, temos que retroceder em relação a nossas expectativas, a nosso desejo imediatista, porquê o ser humano, obviamente, (ainda?) não é uma máquina.

Algo interessante, que particularmente não imaginava que ocorreria tão cedo, é o fato das pessoas que lidam conosco, não necessariamente pessoas geeks, nerds e ou amantes da tecnologia, estarem começando a, elas também, ficarem dependentes da tecnologia e a perceber que o contato com sistemas automatizados trazem alguns benefícios ao seu dia-a-dia.

Se você sempre reclamou do atendente do serviço de telefonia ou de qualquer profissional com o qual você tenha que que lidar para resolver um problema com um serviço sendo prestado de forma indesejável, pare um pouco para imaginar que, você, geek ou nerd que trabalha na área de tecnologia, provavelmente também recebe ou receberá algum nível de hostilidade originada das pessoas com as quais você tem que lidar diariamente em sua profissão.

Seja um superior, um cliente ou um colega de trabalho, é comum perceber que as pessoas, atualmente, por estarem acostumadas a rapidez com que pode se resolver os problemas com a ajuda de máquinas, esperam que um problema, quando depende de você (ser humano) para ser solucionado, receba a mesma atenção e rapidez em sua resolução que normalmente se esperaria de um sistema automatizado.

Ou seja, se é algo que não pode ser resolvido imediatamente, invariavelmente, as pessoas que dependem da solução do problema ficarão de uma forma ou de outra insatisfeitas e, por vezes, vão lhe enxergar como o elo fraco na solução de seus problemas, o ser humano lento e desengonçado que ainda está lá, no meio do caminho, atrapalhando a solução rápida de seu problema que, na visão delas, poderia estar sendo resolvido por um sistema rápido e perfeito, que não faz perguntas e simplesmente resolve problemas.

Asbtraia o fato de que, geralmente, o problema a ser resolvido ainda não é passível de ser solucionado totalmente por uma máquina e/ou sistema e que, felizmente ou infelizmente, ainda é necessário que um humano ainda esteja lá, para ajudar onde as preciosas máquinas ainda não conseguem chegar.

O que as pessoas se esquecem é que, ao contrário do que a ficção científica nos faz acreditar, as máquinas não funcionam sozinhas. Elas precisam ser construídas, programadas e mantidas funcionando. Pode lhe parecer chocante, mas seu e-mail, seu aplicativo de mensagens instantâneas, seu serviço e/ou site preferido de rede social e tudo o mais o que você possa imaginar e que esteja disponível na Internet, depende de seres humanos para existirem e continuarem funcionando.

Os profissionais de tecnologia (porquê “profissionais de TI” e tão semana passada) são essenciais na sociedade moderna. E, mesmo assim, frequentemente nos esquecemos dos mesmos. Quando exigimos suporte via e-mail, mensagens instantâneas, telefone ou qualquer outro meio, nos irritamos quando nossas exigências não são prontamente atendidas. Nesse momento, e somente nesse momento, nos lembramos que existem pessoas por trás dos serviços.

Devemos nos lembrar que empresas são objetos. Paredes, mesas, cadeiras, papéis e outros objetos que, se não existissem, ainda assim, não seriam razões para impedir que uma pessoa conseguisse fazer algo bem feito e atingir um objetivo. A empresa, o local de trabalho, lhe fornece ferramentas, a pessoa é que fornece o trabalho. E as ferramentas não são todas essenciais, mas as pessoas, por outro lado, sempre são essenciais.

Vemos diariamente inúmeros exemplos de pessoas descontentes com seu trabalho. Começo a notar que, dentre outras razões, uma das principais razões para que isso aconteça é o fato de que as pessoas com as quais as mesmas interagem começam a esperar das mesmas ações e perfeição em um nível que os tornaria características inerentes de máquinas, não de seres humanos.

O Google não é legal. As pessoas que trabalham no Google são legais. A sua tecnologia preferida, sem a qual você não pode mais viver, não é perfeita. As pessoas que a criaram e que a mantém funcionando são os culpados por você acreditar que essa tecnologia preenche sua vida e a torna mais interessante. Essas pessoas é que trabalham para que você possa ter uma vida melhor.

Essas pessoas merecem boas condições de trabalho, o que nem sempre significa ter um computador mais novo ou acesso a uma nova tecnologia. Por vezes, oferecer melhores condições de trabalho significa simplesmente ser mais amigável, compreensível, mais humano.

Não cometer erros comuns ao lidar com essas pessoas é essencial, mas a maioria das empresas nas quais essas pessoas trabalham pecam em cometer esses mesmos erros. São coisas simples, óbvias para a maiorias dessas pessoas e, por isso, por vezes as mesmas se encontram em situações difíceis, pensando em como esse tipo de problema, que poderia ser evitado de maneira tão óbvia para as mesmas, ainda assim ocorre e constantemente as vitimam.

Dicas de como tratar bem seus nerds/geeks existem aos montes por aí. Se você não segue essas dicas, que lhe são dadas pelas próprias pessoas que sofreram em ambientes que lhes levaram a criar essas cartilhas de boa convivência, na visão das pessoas que sofrem com esses problemas, você não é um observado muito bom. E, talvez, você esteja prestes a perder essas pessoas.

E, infelizmente, ao contrário do que se imagina, dificilmente será possível conseguir pessoas como a que será perdida, ao contrário de objetos inanimados de escritório, que existem aos montes por aí e, estes sim, podem ser ignorados.

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7 comentários sobre “Geeks, nerds e a difícil fuga da depressão

  1. Grande Fábio, grandes reflexões.
    Na minha ótica, para evitar a depressão e cia nada melhor que refletir, questionar e abrir mais os horizontes saindo do estreito mundo em que nos acostumamos. Pensar em si, em nossos conflitos interiores, angústias, anseios e também nos outros.

    Parabéns pelo post, Fábio.

  2. Obrigado pelo comentário, Ribamar,

    Mas, só para avisar, eu não sou Fábio. Me chamo André, o que é até bem simples de se entender, dado o nome do blog (sem contar que no “Sobre” deste blog, isso também está explicitamente citado).

    De qualquer forma, conforme citado, obrigado pela visita e pelo comentário.

  3. E quando as pessoas (ao menos em alguns níveis) se tornarem dispensáveis às máquinas? E quando (e se) as ‘profecias’ de Ray Kurzweil se tornarem fato e pudermos fazer o download de nossa consciência pra uma máquina? E quando formos meio máquina, meio homens, o que nos definirá de fato como seres humanos?

    Apenas algumas perguntas a serem respondidas por nós, quiça por nossos filhos. Abraço!

  4. Olá Walter,

    Antes de mais nada, obrigado pela visita e pelo comentário.

    Eu, sinceramente, espero que um dia tenhamos a possibilidade de fazermos um backup de nossos cérebros para uma “nuvem” e consigamos fazer o download do mesmo posteriormente, em outros corpos ou em outros receptáculos quaisquer que por ventura venhamos a utilizar como substitutos de corpos.

    A única questão é aquela velha discussão sobre a alma. Fazendo um backup do cérebro, você leva a tal da alma junto ? Precisa de agente de backup em separado para isso ? 🙂

    E, pior ainda, se precisar de um agente específico separado, torço para que, até lá, não seja feito pelos programadores de alguns sistemas PHP que conheci 🙂

  5. É André, gente é tudo de bom. Tô curtindo muito os seus posts menos técnicos por aqui. Tô até com saudades de viajar um pouco longe dos posts técnicos de novo. Tô vendo que você não só retomou o blog com toda a força como se tornou um serial twitter. Tá numa faze ótima, continue assim.

  6. Olá telles,

    Tudo bem ? Obrigado pela visita e pelo comentário, antes de mais nada.

    Sobre os posts menos técnicos, as vezes é relaxante escrevê-los. Conteúdo técnico é o que mais se vê por aí. É bom tentar não chover no molhado de vez em quando, só para variar 🙂

    Quanto a voltar com força total, se você considera dois posts em um período de quase seis meses força total, aí sim, voltei com força total 🙂

    O Twitter/Identi.ca é bem mais simples de se “manter”, por isso, são “alimentados” com mais frequência. Obrigado novamente pela visita e pelo comentário.

  7. I’m glad you liked my post. Feel free to post a Portuguese translation of it to your blog if you wish. Google translation is too inconvenient for the majority of readers and will probably make some subtle mistakes that you could correct.

    Estou feliz que você gostou do meu post. Sinta-se livre para postar a tradução do Português para o seu blog, se desejar. Tradução do Google é muito inconveniente para a maioria dos leitores e, provavelmente, fazer alguns erros sutis que você poderia corrigir.

    http://translate.google.com/translate?js=y&prev=_t&hl=en&ie=UTF-8&u=http%3A%2F%2Fetbe.coker.com.au%2F2009%2F06%2F11%2Fit-jobs-and-working-conditions%2F&sl=en&tl=pt&history_state0=&swap=1

    The above URL has what purports to be a Portuguese translation of my post. I don’t know if it’s much good. The Portuguese translation of my comment is from Google. Feel free to correct it if that would help your readers.

    A URL acima tem o que pretende ser uma tradução Português do meu post. Eu não sei se é muito bom. A tradução Português do meu comentário é do Google. Sinta-se livre para corrigi-lo se isso iria ajudar os seus leitores.

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