Massa demôniaca

Cá estou eu, tentando focar, fazer a coisa certa, estudar, absorver conhecimento, enriquecer meu cérebro e melhorar meus dotes intelectuais para conseguir viver uma vida melhor, mais correta e mais pacífica, em todos os sentidos.

Cansado das briguinhas e dos egos inflados da blogosfera (ô palavrinha feia, quase tanto quanto campuseiro), resolvi sair em busca de conteúdo mais interessante nas Interwebs, já que me recuso (?) a acreditar que o mundo é composto totalmente por exemplares de seres humanos acéfalos.

E não é que, como eu suspeitava (desde o princípio?), realmente existe esperança para a raça humana (em retrospecto, me arrependo de ter dito isso). Encontrei conteúdo bom. Inocente, bem escrito, humano, legível e em português pré-miguxo (uma dávida hoje em dia). Inspirador e que te faz pensar.

Maravilha! Hoje, sábado, como televisão atualmente para mim é tão relevante quanto um show do Wando  (mesmo o conteúdo da TV paga começa a ficar repetitivo demais para o meu gosto) e eu estou em um momento de contenção de gastos (vide crise mundial e o dia-a-dia de 99% de nosso belo povo), separei um tempinho para me aventurar na leitura do conteúdo intelectualmente estimulante recém descoberto.

Porém, mal sabia eu, pobre exemplar da raça humana (e não tenho orgulho disso), que ainda teima em tentar não fazer parte da massa de manobra, que o universo conspira tanto a favor quanto contra e, na maioria das vezes, tentando lhe forçar a desistir de sua idéia de se desgarrar de seu rebanho, o universo pende para o lado da conspiração contra.

Não há prova mais clara de que o cérebro humano, quando não exercitado, prestes a atrofiar (ou já atrofiado?), entra em modo fail e passa a lhe pregar peças (e a lhe fazer passar vergonha) do que essa nova onda (que teima em não sair de moda) de palavrões gritados em volume satânico que é o que chamam de funk.

Neste exato momento, em que tento curtir meu momento de paz e minha leitura, o dono da padaria aqui ao lado (como se já não bastasse o dono do bar), tendo a idéia genial de atrair clientela dando ao povo o que é do povo (pão e circo), resolveu tocar em um volume estoura-tímpanos++, em seu possante envenenado com as portas abertas ao melhor estilo dumbo, as mais belas pérolas do funk carioca.

Sim, sou paulista e moro em São Paulo, mas essa praga (como todas as outras), viaja rápido e se alastra. Sendo assim, eu, pobre pseudo-assalariado que luta para ter uma vida pseudo-digna, sou obrigado a olhar para o teto e me questionar sobre o universo, a vida e tudo mais, sem deixar também de me espantar, me questionando qual seria a razão da espécie humana ainda não ter sido extinta.

Sim, porque se a entidade que dizem controlar a tudo e a todos realmente acredita que manifestações demôniacas devem ser combatidas, o que ela está fazendo que até agora não exterminou uma raça que teve a capacidade de criar uma aberração dessas ?

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8 comentários sobre “Massa demôniaca

  1. Eu passo por isso todo final de semana, agora mesmo enquanto faço o comentário, o barulho na frente do prédio onde moro é irritante, e já são 23:35 hs e a lei do silêncio? é desconhecida aqui.
    E o pior, moro no RJ na terra natal dessa música irritante.

  2. Aqui em minas é a mesma coisa! Sofro não só com o Funk, mas também com o Axé e o Sertanejo nosso de todos os dias…

    Mas gostei de seu desabafo. É bom saber que não estamos sozinhos no mundo!

  3. @Rob Ville

    Sim, realmente, não estamos sozinhos no mundo. Apesar de, perceptualmente eu acreditar que o mundo esteja dominado por essas pragas e de, empiricamente, eu as vezes acreditar que 99% das pessoas gostam disso, ainda existe pessoas como nós que, felizmente, ainda tentamos nos manter afastados desse “conteúdo” (ha!).

  4. Não sei até onde está correto e até onde está errado sobre a extinção da raça humana.

    Sou uma daquelas pessoas que prefere acreditar que vivemos uma guerra constante contra as máquinas em sabe-se lá que ano (sim, estou falando de Matrix) à acreditar que a raça humana é da forma que é.

    Tenho minhas próprias teorias de como a raça (des)humana surgiu e por que ainda não foi extinta.

    Pouquissimas pessoas hoje em dia preocupam-se em tentar fazer algo de interessante.

    E por mais que tentemos desviar disso tudo, tu, eu e qualquer outro que leia este blog ou o que desejar escapa dessa coisa.

    Lei da ação e reação rege o universo de tal forma que ocorre exatamente o que tu disse: quanto mais tentamos nos afastar, mais somos puxados.

    Mas se tu pensar bem sobre isto, jamais saimos do lugar.

    Talvez, somente talvez, sejamos da forma que somos.

    Ultima coisa antes de encerrar este comentário: dizer que tenho esperanças na raça humana é uma tremenda mentira.
    A maior parte já se acomodou, e contaminaram de tal forma o ambiente onde vivem, que mesmo que extinta, esta raça perpetuará o caos e destruição onde quer que tenham passado.

    Daí, parando para pensar um pouco: será que o Agente Smith estava errado ao dizer que a raça humana é um virus?

    Chega, já escrevi demais.

    Abraços,

    Yuri Romanov

    a tempo: parabens pelo blog, há tempos que o acompanho pelos feeds, porem esta é a primeira vez que comento.

  5. @@Yuri

    Sobre a extinção da raça humana, os estudiosos dizem que é somente uma questão de tempo. Ou seja, não seria um “se”, mas sim um “quando”. Segundo eles, muitas raça vieram e se foram e nós somos somente mais uma delas.

    O problema com a raça humana (e não tenho certeza se isso é exclusivo somente dela, mas ela faz questão de deixar isso bem claro) é que se trata de uma raça humana extremamente mesquinha por natureza. Não estou dizendo que todo e qualquer ser humano é assim, mas a grande maioria o é. E não, você leitor e seus familiares/conhecidos não representam a maioria da raça humana.

    O ser humano parece ter lampejos de bondade, mas no geral, no dia-a-dia, queremos mesmo é fazer o que é melhor para nós, não o grupo no qual estamos inseridos. Podemos ter a mais clara certeza que algo que pretendemos fazer irá causa efeitos colaterais prejudiciais aos nossos próximos, mas se não for nos afetar diretamente no curto prazo e, melhor ainda, se nos trouxer lucro, não pensamos duas vezes : bams em frente e fazemos.

    Talvez o agente Smith estivesse realmente certo, mas não acredito que seja ele ou as máquinas que irão curar essa praga. Minha esperança é que o planeta reivindique seus direitos e nos expulse de sua face antes que sejamos burros o suficiente para acabar com ele.

    Obrigado pela visita e pelo comentário. Mantenha-se firme e forte comentando sempre que possível, ok ? Os comentários são o combustível que me mantém escrevendo.

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