Obsolescência de fornecedores é igual a liberdade ?

Estive lendo esses últimos dias um artigo sobre o fato de alguns usuários (entenda-se por usuário não somente o usuário individual doméstico, mas qualquer tipo de usuário, inclusive os grandes usuários corporativos) se mostrarem tão satisfeitos com soluções abertas/livres que, quando questionados sobre seus investimentos em soluções livres, se mostraram a favor de manter ou, em grande parte, até mesmo aumentar os investimentos nesse tipo de solução.

E, o mais interessante, é que isso não mais se restringe a nichos de uso específicos, como um simples firewall ou roteador departamental, como era comum há alguns anos atrás. Não, hoje em dia, conforme o artigo citado indica, os usuários corporativos estão se aventurando em projetos mais complexos e de maior importância estratégica corporativa, classificados como sendo “críticos” ou “de alta importância”.

O artigo em questão tenta trazer uma outra visão de um outro artigo publicado pela IDC, que sugere que os provedores de serviços (como instalação, treinamento e outros serviços relacionados a softwares livres/abertos) estão ficando obsoletos, indicando que menos de 1% dos projetos pesquisados tiveram participação de provedores de serviços externos e tratando isso como algo ruim.

O primeiro artigo citado indica que, na verdade, isso não é um ponto ruim, mas sim um ponto a favor de soluções abertas/livres, visto que, em sua visão, tal fato indica que os usuários estão ganhando mais independência de fornecedores, já que cada vez mais suas próprias equipes internas conseguem lidar com os projetos e tocá-los sem auxílio externo. Sinceramente, eu também vejo isso como algo bom, me colocando na posição de usuário de soluções abertas/livres e “cliente” de provedores serviços.

Em um artigo do site Linux Weekly News (LWN) (desculpe, fechado para não assinantes por uma semana, aberto após esse período), o editor indica que alguns fornecedores de sistemas GNU/Linux embarcados estão usando táticas de proliferação de FUD (fear, uncertainty and doubt, ou, medo, incerteza e dúvida) para tentar convencer seus clientes de que seus serviços ainda são relevantes, visto que qualquer organização com algum dinheiro e conhecimento poderia criar sua própria plataforma de sistema operacional embarcado, inclusive se baseando em soluções já existentes para evitar retrabalho e custos muito altos, evitando o fornecedor de sistemas embarcados, no melhor estilo “faça você mesmo“.

O editor do artigo do LWN indica que o fornecedor em questão deveria se utilizar de outras táticas para manter seus clientes e não recorrer a informações que podem ser (e, com certeza, são) facilmente comprovadas como falsas e desbancadas por quem quer que seja, inclusive seus próprios clientes.

Em um dos comentários desse artigo, um usuário inclusive cita que quanto mais patches relacionados ao suporte de um ambiente em tempo real e mais patches relacionados a sistemas embarcados forem aceitos na árvore oficial do kernel Linux (e a tendência é que esse número aumente cada vez mais), mais difícil será para os fornecedores de sistemas embarcados provarem seu valor como fornecedores desse tipo de solução, já que qualquer usuário poderá obter a solução desejada simplesmente utilizando o kernel Linux oficial.

Logicamente, o fim do mundo não é amanhã e todas as empresas prestadoras de serviços não vão desaparecer da noite para o dia, mas cada vez mais as mesmas terão que diversificar e provar que podem fornecer serviços com maior valor agregado do que algo que, daqui há pouco tempo, qualquer usuário mediano poderia conseguir por si só utilizando soluções livres/abertas já existentes.

Sempre existirão os usuários que, independente do nível de simplicidade da tarefa a ser cumprida, preferirão ter alguém terceirizado fornecendo-a ou prestando consultoria sobre como melhor cumprí-la. O ponto é que, se hoje em dia tais discussões como as existentes nos artigos citados já estão ocorrendo, será interessante conferir o que estará por vir daqui há alguns anos (ou meses ?), quando a concorrência para obter “clientes” estará ainda mais acirrada e somente os mais experientes e os quais puderem mostrar ao que vieram com mais objetividade sobreviverão.

Mais e mais usuários poderão, mesmo que não o queiram, dispensar prestadores de serviços externos e viver bem sendo seus próprios fornecedores de tecnologia, utilizando para isso toda a base de soluções abertas/livres já existentes e, em um futuro próximo, aquelas que ainda estão por vir.

Deu para entender porque eu gosto de chamar isso de software livre e não somente de “open source” ?

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