SSD : a solução para o gargalo atual em nossos sistemas ?

As indicações estão em todos os lugares : primeiro nos players portáteis e telefones de luxo que andam aparecendo aos montes e, ultimamente, com a indicação de grandes nomes do mercado, como a Apple, que, segundo as notícias que circulam por aí, vai lançar um ultra-portátil que utilizará tecnologia SSD, em seu evento anual MacWorld Expo and Conference, por volta de janeiro do próximo ano.

O Slashdot nos informou hoje que já existem empresas que estão produzindo discos de estado sólido que ultrapassam a capacidade de armazenamento de 1TB.

Nada mal para nossos padrões de uso doméstico atuais, concorda ? Eu mesmo possuo um disco SATA II de 250GB em meu desktop doméstico que ainda anda pouco utilizado, mas isso é só devido a minha conexão Internet, a qual não pode ser considerada como uma conexão de banda larga. No máximo, um conexão de banda-sofrivelmente-quase-larga.

De qualquer forma, com o aumento das ofertas de opções de acesso a Internet em conexões banda larga, o aumento da oferta de soluções que nos permita armazenar uma maior quantidade de informações também tende a aumentar. Anteriormente, nos contentávamos em armazenar nossos e-mails, documentos e arquivos que, na maioria das vezes, se tratavam de dados em texto puro ou em algum formato parecido, que não demandava tanto espaço em disco.

Hoje em dia, é extremamente comum encontrarmos colegas que possuem dezenas ou até mesmo centenas de gigabytes de arquivos de música ou vídeo digitais (nem sempre conseguidos de forma legal, mas isso é outra história). Cada vez mais precisamos de mais espaço para armazenar nossas preciosas coleções virtuais/digitais de arte e conhecimento que tanto prezamos e que tanto insistem em lotar nossos discos.

O problema é que, aparentemente, a tecnologia utiilizada nos discos rígidos, conforme a conhecemos atualmente, parece não ter evoluído tanto quanto outras tecnologias irmãs (como processadores e memórias) tem evoluído nos últimos tempos. O post do kernel hacker Robert Love sobre o assunto, sindicalizado no Kernel Planet, exemplifica bem o problema que estamos enfrentando atualmente.

Segundo ele, desde que compilou seu primeiro kernel (versão 1.1 ou 1.2), a velocidade de transferência de dados em sua conexão Internet já aumentou 11.500 vezes se comparada ao modem 2400 que ele utilizava na época, a velocidade de acesso a memória aumentou 2.000 vezes e a disponibilidade de espaço em disco aumentou 3.000 vezes.

Porém, a velocidade de acesso a dados em discos rígidos ainda continua essencialmente a mesma. Ele ainda aponta como fonte sua palestra na GUADEC de 2005, onde ele diz que acesso a disco é 25.000 vezes mais lento do que o acesso a um registrador de propósito geral e termina dando a entender que as coisas não estão evoluíndo de acordo na indústria de armazenamento doméstico.

Segundo a definição na Wikipedia, o acesso a discos que utilizam a tecnologia SSD é mais do que 250 vezes mais rápido do que os discos rígidos mais rápidos da época em que a entrada na Wikipedia foi escrita, em 2004. E, de lá para cá, aparentemente, não tivemos mudanças sensíveis na tecnologia de discos rígidos que fizessem com que essa diferença caísse drasticamente, infelizmente.

As principais razões (existem outras) que ainda impedem que computadores oferecidos ao mercado doméstico sejam equipados com discos que utilizam a tecnologia SSD são o preço elevado (também segundo a mesma definição na Wikipedia citada acima, perto de US$ 8 por GB em discos SSD comparados a US$ 0.25 por GB nos discos mecânicos atuais) e o fato de discos SSD terem uma expectativa de vida bem menor do que os discos rígidos atuais, já que os discos SSD possuem uma quantidade máxima de operações de gravação limitadas se comparadas a discos rígidos usuais.

De qualquer forma, existem sistemas de arquivos especiais para discos SSD (como os sistemas de arquivos JFFS e JFSS2, no caso de kernels Linux) que diminuem um pouco esse problema, sendo mais inteligentes na forma que gravam os dados em disco e diminuindo a frequência das gravações para evitar o desgaste além do necessário.

A notícia que saiu no Slashdot hoje, citado no início deste post, também informa que um dos modelos de discos SSD oferecidos por um dos fabricantes citados suporta taxas de transferência de 4Gbps. Um dos discos em questão suporta 55.000 operações de I/O por segundo e atinge uma taxa de transferência de dados sustentada de 230MB por segundo. Em comparação, um disco rígido rápido atual atinge por volta de somente 300 operações de I/O por segundo.

Parece que, assim que os preços de soluções baseadas em SSD começarem a diminuir um pouco mais (obrigado Apple por estar popularizando essa tecnologia com o uso da mesma nos novos IPod e em seu iPhone), teremos encontrado nosso sucessor dos discos rígidos mecânicos atuais.

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