Green IT : o que o software livre está fazendo para dar sua contribuição

Não, Green IT não significa tecnologia da informação marciana (aliás, por quê diabos não acabamos com essa idéia de que marcianos são verdes ?). Trata-se de uma nova tendência, que vem surgindo junto com a necessidade cada vez mais crescente de economia de recursos naturais e controle do clima mundial para que logo todos nós não tenhamos que ir para o buraco, literalmente.

A idéia é não somente se preocupar com sistemas melhores, mais rápidos e mais baratos, mas também com sistemas com responsabilidade ambiental. Dê uma lida no link citado anteriormente, a idéia é interessante e qualquer iniciativa no sentido de economia de energia, recursos naturais, evitar a produção de lixo eletrônico, que leve em consideração os efeitos na saúde e na produtividade dos usuários, em tempos de discussões sobre aquecimento global acaloradas, é louvável. O planeta agradece.

Mas o que o software livre pode fazer para ajudar ? Como citei em um post anterior, minha experiência com um ponto bastante prático e visível para o usuário relacionado a esse assunto, o tempo de duração de bateria de notebooks, não foi muito feliz. Consegui um tempo de duração de bateria bem inferior em GNU/Linux se comparado ao uso do MacOSX no mesmo hardware. Pouco mais de 5 horas em MacOSX e pouco mais de 3 horas em GNU/Linux.

Porém, logicamente, isso já era de se esperar, uma vez que, no caso do MacOSX, o hardware e o software foram feitos um para o outro, pelo mesmo fabricante/desenvolvedor. Seria espantoso ter um tempo de duração de bateria maior em GNU/Linux, nesse caso. Mas não custa sonhar, certo ?

Felizmente, o sonho pode se tornar realidade em um futuro não muito distante. Algo me diz que daqui há um ou dois anos será engraçado ler esse post e imaginar que tínhamos um rendimento tão inferior em softwares livres se comparado aos softwares proprietários em relação e economia de energia. Por quê digo isso ? Ora, é óbvio 🙂 Veja os sinais que estão surgindo por todos os cantos.

Repare nos inúmeros projetos relacionados a economia de energia que andam pipocando em todos os cantos. Apesar de ainda existir muito a ser melhorado, uma boa parte do que é necessário nas camadas mais baixas, lá nas entranhas do kernel, já está implementado com o suporte a dynticks e kernels tickless, que permitem que, dados softwares bem comportados, a CPU seja acordada uma quantidade de vezes bem menor do que o habitual.

Com uma quantidade menor de interrupções ocorrendo, o sistema como um todo tem a oportunidade de ficar mais tempo no estado idle (lá paradão, desocupado) e, consequentemente, podemos dispor de vários recursos para fazer com que a CPU passe de um estado ACPI para outro, no qual uma quantidade menor de energia seja consumida.

Ted Tso, conhecido kernel hacker conhecido por desenvolver, entre outras coisas (incluíndo estar envolvido na equipe original que projetou o Kerberos no MIT), os sistemas de arquivos ext2 e ext3 (e estar trabalhando no ext4), blogou sobre a questão da economia de energia para usuários de laptops usuários de GNU/Linux. Vale a pena a leitura.

Em seu post, Ted nos fornece uma visão geral de como está atualmente a questão do gerenciamento de energia no kernel Linux, compara a situação atual com o estado desse suporte no kernel há poucos anos atrás e indica que o futuro parece promissor, apesar de ainda faltar muito para ser feito para que consigamos ter um subsistema de gerenciamento de energia invejável aos sistemas operacionais proprietários.

É interesse ler também as reações ao post de Ted. Pavel Machek, outro kernel hacker, em um post curto em seu blog responde a alguns dos pontos levantados por Ted em seu post original e nos informa que diversos problemas apontados por Ted já estão em vias de serem resolvidos e alguns desses problemas, como a questão da suspensão de dispositivos USB e o problema dos mesmos relacionado ao consumo elevado de ciclos de processador, já estão resolvidos em kernels mais recentes.

Pavel também fornece várias dicas de como economizar ainda mais energia com algumas configurações simples. Aliás, por falar em dicas para economia de energia, como Ted citou em seu post original, a referência mais importante atualmente é o site lesswatts.org, site oficial do utilitário powertop, lançado pela Intel para auxiliar usuários e desenvolvedores a descobrir quais aplicações consomem mais energia em seus sistemas, fornecendo dicas de configurações que podem ser aplicadas para diminuir o consume de energia de sistemas baseados no kernel Linux.

Lógico que, como Ted citou em seu post, hoje em dia ainda são necessários muitos passos e muitas configurações manuais para conseguir um bom índice de economia de energia. Mas com o tempo e com a infraestrutura para gerenciamento de energia no kernel sendo melhorada, além dos drivers/módulos para dispositivos sendo atualizados para fazer uso dessa infraestrutra, a tendência é que a quantidade de configurações manuais requeridas diminua e esse tipo de ajustes provavelmente seja mais simples de ser feito, possivelmente com alguns deles até mesmo sendo feitos automaticamente pelo próprio kernel em conjunto com drivers/módulos mais inteligentes.

Eu torço para que isso aconteça e, pessoalmente, não vejo a hora de testar o futuro kernel 2.6.24, por enquanto ainda em desenvolvimento, que trará suporte a dynticks para arquitetura x86-64 e provavelmente fara meu MacBook rodando GNU/Linux competir de igual para igual com o MacOSX no mesmo hardware 🙂

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3 comentários sobre “Green IT : o que o software livre está fazendo para dar sua contribuição

  1. Vou explicar em poucas palavras o que é Green TI: É um termo ou tendência que algum marketeiro muito esperto criou e que os babacas gastam fortunas nisso e acham que vão salvar o mundo de alguma coisa que não se sabe ao certo o que é.

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